A tesoura do Santander passou pelo varejo de vestuário — mas poupou a líder. Na atualização de estimativas do setor, o banco cortou o preço-alvo da C&A (CEAB3) de R$ 24,50 para R$ 17 e o da Riachuelo (RIIA3), de R$ 17 para R$ 14, mantendo a recomendação de compra para ambas.
A Lojas Renner (LREN3) atravessou a revisão com o alvo intacto, em R$ 19,00.
“Reiteramos a Renner como nossa preferência do segmento, seguida por C&A e Riachuelo”, escreveram os analistas Lucas Esteves, Eric Huang e Vitor Fuziharo.
A hierarquia tem fundamento estrutural.
“Acreditamos que a Renner permanece estruturalmente mais bem posicionada”, avaliou o trio, citando a posição de caixa líquido, a produtividade das lojas, a liderança do setor em geração de Ebitda por metro quadrado e a melhor conversão de caixa.
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Renner: barata para o padrão da casa
Nem a favorita saiu ilesa dos ajustes finos. As projeções de receita caíram 2% para 2026 e 1% para 2027, refletindo o primeiro trimestre mais fraco e a pressão da Copa do Mundo sobre as vendas no segundo trimestre de 2026 — mas a margem bruta subiu na conta, para 56,7% neste ano, e o lucro de 2026 foi elevado em 5%, para R$ 1,7 bilhão, com despesas financeiras menores.
O argumento decisivo, porém, está no preço. A ação negocia a 8,1 vezes o lucro estimado para 2026, desconto de cerca de 30% frente à média dos últimos três anos.
“Esse desconto pode diminuir à medida que o ciclo de queda dos juros avance e investidores estrangeiros voltem a direcionar recursos para empresas brasileiras de consumo discricionário de alta qualidade”, projetaram os analistas.

C&A: o corte mais fundo
O maior ajuste do relatório, de 31% no alvo, veio acompanhado de revisões em cadeia: receita 3,5% menor em média até 2028, “refletindo uma demanda mais fraca no início do segundo trimestre de 2026 e uma perspectiva mais cautelosa para as categorias de Eletrônicos e Beleza”, explicou a equipe do Santander.
Com a diluição mais lenta das despesas gerais e de vendas, o Ebitda projetado cedeu 6% e o lucro, 10% em média.
Nem tudo é retrocesso: “continuamos esperando expansão da margem bruta, sustentada por um mix de produtos mais favorável, menores remarcações e pela saída completa da categoria de celulares”, ponderaram os analistas, que também veem o financiamento ao consumidor em rota melhor.
Riachuelo: lucro menor só no papel
Na dona da Midway, o corte de alvo convive com números operacionais melhores — o Ebitda do varejo subiu 6% nas projeções e o da financeira, 9%, com o consolidado estável porque os ganhos repõem a contribuição dos shoppings vendidos pela companhia.
“A forte queda do lucro líquido reportado entre 2025 e 2026 é, em grande parte, apenas um efeito contábil”, esclareceram Esteves, Huang e Fuziharo.
Em bases ajustadas, a história muda de figura: o lucro deve avançar de R$ 512 milhões em 2025 para R$ 540 milhões em 2026, com crescimento composto de cerca de 24% ao ano na sequência — e a Midway pesando cada vez menos no resultado, à medida que a rentabilidade do varejo se expande. No fim, a mensagem do banco é uma só: os alvos encolheram, mas, no vestuário, a aposta segue sendo quem executa melhor a expansão.
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