O setor de alimentos e bebidas apresentou movimentos distintos nos preços ao consumidor durante o segundo trimestre de 2026. De acordo com relatório do Banco Safra, baseado nos dados mais recentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE, a inflação da carne bovina permaneceu elevada, enquanto os preços da cerveja desaceleraram em junho. O cenário reforça perspectivas diferentes para empresas dos segmentos de proteínas, bebidas e alimentos básicos.
Segundo a análise do banco, a dinâmica foi positiva para os frigoríficos com maior exposição à carne bovina, especialmente a Minerva (BEEF3), enquanto o ambiente continua desafiador para os produtores de aves e suínos, como Marfrig (MRFG3) e JBS (JBSS32). Para a Ambev (ABEV3), a leitura é considerada neutra a levemente negativa, enquanto a avaliação para fabricantes de alimentos básicos e indulgentes, como a M. Dias Branco (MDIA3), permanece neutra.
Cerveja perde ritmo de alta
Os preços da cerveja registraram alta de 4,5% em junho na comparação com o mesmo mês de 2025, desacelerando em relação ao avanço de 4,8% observado em maio. O movimento foi puxado principalmente pela cerveja consumida no domicílio, cuja inflação atingiu 5,3%, enquanto o consumo fora de casa apresentou alta de 3,4%.
No acumulado do segundo trimestre, a inflação média da cerveja ficou em 4,5%, ligeiramente abaixo dos 4,9% registrados no primeiro trimestre, indicando perda de intensidade no reajuste dos preços.
Já os refrigerantes mantiveram comportamento mais estável. Em junho, os preços subiram 5,7% na comparação anual, impulsionados pelo consumo dentro de casa. No trimestre, a inflação média do segmento acelerou levemente para 5,6%, ante 5,3% no trimestre anterior.
Carne bovina segue em alta
Entre as proteínas, a carne bovina continuou apresentando a maior pressão sobre os preços. Em junho, os valores subiram 9,7% na comparação anual, enquanto os produtos cárneos processados registraram alta de 1,3%.
Na avaliação do Safra, a demanda doméstica continua sustentando os preços da carne bovina, favorecendo os frigoríficos especializados nesse segmento.
O cenário é diferente para aves e suínos. Os preços da carne suína acumularam queda de 6,7% em junho, enquanto os cortes de frango recuaram 4,6%, refletindo um equilíbrio entre oferta e demanda ainda desfavorável para essas proteínas.
No segundo trimestre, a tendência foi semelhante: a carne bovina avançou 9,5% e os produtos processados subiram 1%, enquanto a carne suína apresentou deflação de 5,3% e o frango caiu 3,8%.
O banco também destaca que os spreads da carne bovina cresceram cerca de 1% na comparação anual, ao passo que os de aves recuaram 1% e os de suínos registraram retração de 25%.
Feijão dispara e arroz continua em queda
Entre os alimentos básicos, o feijão voltou a liderar a inflação. Os preços dispararam 48% em junho na comparação com o mesmo período do ano anterior, acelerando em relação às altas de 36% em maio e de 29% em abril.
Na direção oposta, o arroz permaneceu em trajetória de queda, com deflação de 15% em junho, embora menos intensa do que os 17% registrados anteriormente.
Os preços das massas recuaram 3% em relação ao mesmo mês de 2025, enquanto os biscoitos apresentaram inflação de 3,9%, praticamente em linha com a média do setor de alimentos e bebidas.
No acumulado do segundo trimestre, os biscoitos registraram alta de 5%, enquanto as massas mantiveram deflação de 2%, indicando um ambiente de custos mais favorável para parte da indústria alimentícia.
Perspectivas
Na avaliação do Banco Safra, o comportamento dos preços observado em junho reforça um cenário heterogêneo para o setor de alimentos e bebidas. Enquanto a carne bovina segue beneficiada pela demanda doméstica e pela firmeza dos preços, aves e suínos continuam enfrentando um ambiente de margens mais pressionadas.
No segmento de bebidas, a desaceleração da inflação da cerveja reduz parte da pressão sobre os consumidores, embora o banco avalie que os efeitos para as empresas do setor sejam limitados no curto prazo. Já entre os fabricantes de alimentos básicos, a combinação de forte alta do feijão, queda do arroz e inflação moderada em categorias como massas e biscoitos mantém um cenário misto para a indústria.
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