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Vale entra após correção e JBS sai por preço esticado na Buy and Hold da EQI Research
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Vale entra após correção e JBS sai por preço esticado na Buy and Hold da EQI Research

Carteira reduz a exposição a Klabin, reforça a tese de Allos e sobe 3,26% em julho, próxima do Ibovespa

A carteira Buy and Hold da EQI Research começa agosto com uma mudança relevante: a inclusão da Vale (VALE3), com peso de 7,5%. A atualização também zera a posição em JBS (JBSS32) e reduz a participação de Klabin (KLBN11) de 10% para 7,5%.

Em julho, a carteira avançou 3,26%, ligeiramente abaixo da alta de 3,47% do Ibovespa. Na comparação com o índice de Small Caps, que caiu 0,77%, a estratégia teve desempenho 4,03 pontos percentuais superior.

A atualização preserva o foco em empresas capazes de gerar valor no longo prazo, mas ajusta a relação entre risco, retorno e preço. Enquanto a Vale passa a ocupar espaço na carteira após a correção das ações, a JBS deixa a seleção depois de uma valorização que, segundo a EQI Research, avançou mais rapidamente do que os fundamentos.

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Por que a Vale entrou na carteira Buy and Hold?

O analista da EQI Research, Nícolas Merola, destaca duas frentes na tese da Vale. A primeira é a posição da mineradora entre as produtoras de minério de ferro de menor custo do mundo, característica que ajuda a preservar margens e geração de caixa mesmo em períodos de queda da commodity.

Segundo Merola, o custo all-in da companhia está próximo de US$ 55 por tonelada, diante de um minério negociado ao redor de US$ 100 por tonelada. A qualidade do produto também permite à empresa obter prêmios sobre o índice de referência.

A segunda frente é a Vale Base Metals, divisão de cobre e níquel tratada como o principal vetor de crescimento e transformação da companhia. A tese considera a demanda estrutural por cobre ligada à eletrificação, à transição energética e à expansão da infraestrutura de inteligência artificial, além da expectativa de que a produção do metal praticamente dobre até 2035.

“Após a correção recente da ação, voltamos a enxergar um ponto de entrada atrativo para o investidor, que pode se beneficiar tanto do carrego oferecido pela companhia quanto de potenciais ajustes futuros de múltiplo”, afirma Merola.

O analista também vê a possibilidade de dividendos extraordinários caso a dívida líquida permaneça no patamar estimado pela Vale.

Entre os principais riscos estão uma desaceleração mais forte da economia chinesa, a volatilidade do minério de ferro, passivos socioambientais e eventuais atrasos nos projetos de cobre.

JBS sai e Klabin tem peso reduzido

A JBS deixa a Buy and Hold mesmo após subir 16,19% em julho. A decisão considera que a recuperação operacional esperada foi adiada ao mesmo tempo que a valorização das ações reduziu a margem de segurança da tese.

O principal ponto de pressão continua sendo a divisão de bovinos nos Estados Unidos. A baixa disponibilidade de gado elevou os custos e manteve as margens do negócio em terreno negativo. Ao mesmo tempo, a operação de aves, que ajudava a compensar esse desempenho, começou a apresentar sinais de inversão de ciclo.

A companhia também passou a negociar com múltiplo EV/Ebitda próximo de um desvio-padrão acima de sua média histórica, antes de uma melhora mais consistente dos resultados.

“Entendemos que houve uma combinação desfavorável entre a postergação da recuperação dos resultados, o enfraquecimento das divisões que vinham compensando o ciclo negativo […] e a expansão dos múltiplos da ação”, diz João Neves, analista da EQI Research.

Mesmo com a venda, a EQI Research afirma que continuará acompanhando a JBS e ainda considera a companhia uma das melhores operadoras do setor. Uma nova entrada dependeria de preços mais atrativos ou de sinais concretos de recuperação nas divisões de bovinos nos Estados Unidos e de aves.

Já a Klabin permanece na carteira, mas tem o peso reduzido de 10% para 7,5%. Na soma, a saída dos 5% antes destinados à JBS e o corte de 2,5 pontos percentuais em Klabin abrem exatamente os 7,5% atribuídos à Vale.

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Allos combina alocação de capital e opcionalidades

A Allos (ALOS3) segue entre as teses da Buy and Hold. De acordo com João Zanott, analista da EQI Research, a companhia realizou uma alocação de capital considerada “impecável” após a fusão entre Aliansce Sonae e brMalls, concluída em 2023.

A estratégia envolveu a venda de ativos com menor potencial, a distribuição de dividendos e a recompra de ações. Ao todo, a Allos concluiu 13 desinvestimentos com cap rate médio de 8,6%. Segundo a análise, os ativos foram vendidos por múltiplos superiores aos implícitos na cotação da companhia, ajudando a destravar valor e elevar a qualidade do portfólio remanescente.

“Hoje enxergamos uma empresa com um portfólio menor, porém de maior qualidade, mais eficiente do ponto de vista operacional e com elevada capacidade de geração de caixa, permitindo uma remuneração atrativa aos acionistas”, afirma Zanott.

Entre 2023 e 2026, a companhia deve destinar aproximadamente R$ 5 bilhões a dividendos e recompras, montante equivalente a cerca de 36% de seu valor de mercado.

A EQI Research ressalta, contudo, que a política extraordinária de distribuição deverá terminar em dezembro de 2026, pois o nível atual supera a geração recorrente de caixa.

A análise também destaca duas opcionalidades que ainda não foram incorporadas integralmente ao cenário-base:

  1. Desenvolvimento de projetos multiuso em terrenos próximos aos shoppings, por meio de parcerias que reduzem a necessidade de capital próprio.
  2. Hello, operação de mídia fora de casa presente em shoppings, edifícios residenciais e aeroportos.

Essas frentes podem ampliar a geração de valor, mas ainda dependem de execução e maturação.

Entre os riscos para a Allos estão a desaceleração do consumo, eventos que afetem fisicamente os ativos e a manutenção de juros longos elevados, que pode pressionar o custo de capital e a cotação.

A composição completa da carteira Buy and Hold, os pesos atualizados e as teses detalhadas de cada empresa estão disponíveis no aplicativo EQI+.