Home
Notícias
Ações
BTG vê queda de 16% da 3tentos como exagerada e mantém compra

BTG vê queda de 16% da 3tentos como exagerada e mantém compra

Banco projeta Ebitda de R$ 115 milhões no 2º trimestre, queda de 48% anual, com margem de 2,9% — a mais baixa desde o 2º trimestre de 2024

As ações da 3tentos (TTEN3) caíram 16% na última sessão, movimento que o BTG Pactual classifica como exagerado. Na avaliação dos analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, a queda reflete revisões para baixo nas estimativas do segundo trimestre de 2026, com o segmento de esmagamento de soja como principal culpado.

No entanto, o banco reitera recomendação de compra para o papel e não vê razão para interpretar a deterioração como estrutural.

“Uma queda de médio a alto dígito no valor de mercado parece excessiva para uma deterioração trimestral que deve ter implicações limitadas para a lucratividade de longo prazo”, afirmam Duarte e Guttilla.

Esmagamento pressiona margens no trimestre

O BTG projeta lucro bruto no segmento Industrial de R$ 372 por tonelada no segundo trimestre de 2026, queda de 24% sequencial, com margem bruta de 14,6%.

Publicidade
Publicidade

O banco havia inicialmente esperado que essa deterioração se tornasse mais visível nos próximos trimestres, mas decidiu antecipar parte dela para o segundo trimestre após observar que os spreads de julho estão cerca de 27% abaixo da média do período.

“Historicamente, esse negócio entregou lucro bruto unitário de US$ 80 a US$ 90 por tonelada. No primeiro trimestre de 2026, foi de US$ 106. Se nossa estimativa estiver correta, estaríamos olhando para cerca de US$ 75 — difícil de antecipar com base nos dados de mercado, mas ainda dentro da faixa histórica”, explicam os analistas.

A diferença entre o que os spreads de mercado implicariam e a previsão revisada do BTG para a 3tentos equivale a uma redução de cerca de R$ 100 milhões na estimativa de lucro bruto.

Varejo e grãos entregam menos surpresas

Os demais segmentos devem trazer menos volatilidade no segundo trimestre. No varejo, a receita deve crescer 23% na comparação anual, com margem bruta recuando 1,4 ponto percentual sequencialmente em função de um mix sazonalmente mais fraco, com maior contribuição de fertilizantes. O lucro bruto estimado para o segmento é de R$ 103 milhões.

Em grãos, o BTG espera volumes recordes de negociação de soja, sustentados por safras mais fortes tanto no Mato Grosso quanto no Rio Grande do Sul, com receita líquida crescendo 15% anual. No entanto, as margens devem se normalizar após o resultado excepcionalmente forte do primeiro trimestre.

“Projetamos lucro bruto por tonelada de R$ 234 em grãos, queda de 25% sequencial, resultando em lucro bruto total de R$ 168 milhões no segmento”, detalham Duarte e Guttilla.

Frete estável não traz alívio

Mais abaixo no resultado, os custos de frete não devem repetir os níveis elevados do quarto trimestre de 2025, mas também não trazem alívio relevante.

O BTG estima custo de frete de R$ 299 por tonelada no segundo trimestre de 2026, ante R$ 294 no primeiro trimestre. Com isso, as despesas com vendas, gerais e administrativas como percentual da receita devem permanecer estáveis sequencialmente, em 12,9%.

No consolidado, o BTG projeta receita líquida de R$ 4 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 13% anual, com Ebitda de R$ 115 milhões, queda de 48% anual e margem de 2,9% — o nível mais baixo desde o segundo trimestre de 2024.

Um trimestre fraco não quebra a tese

Apesar das estimativas fracas, o BTG mantém a visão de que a deterioração não é estrutural. A volatilidade de margens no segmento industrial faz parte da história da companhia — a rentabilidade do segmento pode quase dobrar ou cair pela metade dentro de um mesmo ano.

“As estimativas para 2027 permanecem praticamente inalteradas. Para justificar uma queda similar no valor de mercado, seria necessário assumir uma deterioração estrutural permanente de dois dígitos na rentabilidade — o que as informações disponíveis não sustentam”, concluem Duarte e Guttilla.

Com a ação negociando a 6 vezes o P/L estimado para 2027, o BTG vê o momento atual como oportunidade de entrada em um papel pró-cíclico com margens abaixo do nível médio do ciclo.