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BTG mantém recomendação neutra para Vale após resultados do 1TRI25

BTG mantém recomendação neutra para Vale após resultados do 1TRI25

O BTG Pactual (BPAC11) manteve sua recomendação neutra para as ações da Vale (VALE3), com preço-alvo de US$ 11

O BTG Pactual (BPAC11) manteve sua recomendação neutra para as ações da Vale (VALE3), com preço-alvo de US$ 11, após a divulgação dos resultados do primeiro trimestre de 2025 (1TRI25), destacando a ausência de surpresas. Embora a previsibilidade seja bem-vinda em comparação a trimestres anteriores, os analistas ainda apontam falta de atratividade na geração de caixa livre (FCF, na sigla em inglês), com um yield anualizado de apenas 5%, abaixo do esperado para o atual ambiente de maior aversão a risco.

O Ebitda ajustado da mineradora ficou em US$ 3,2 bilhões no trimestre, queda de 8% em relação ao mesmo período de 2024 e recuo de 22% na comparação trimestral, resultado em linha com as projeções do BTG e do consenso de mercado. Por outro lado, o banco elogiou as melhorias consistentes nos custos operacionais, especialmente na divisão de minério de ferro e metais básicos. A administração da Vale demonstrou confiança em alcançar o custo caixa C1 entre US$ 20,5 e US$ 22 por tonelada em 2025 — faixa que o BTG vê como atingível, especialmente em seu limite inferior.

A dívida líquida expandida da VALE3 atingiu US$ 18 bilhões, alta de US$ 1,8 bilhão frente ao trimestre anterior, aproximando-se do limite considerado confortável pela própria empresa. Esse cenário reduz as chances de pagamento de dividendos extraordinários no curto prazo.

Vale (VAL3): desempenho de custos de minério de ferro avança

No segmento de minério de ferro, o Ebitda da VALE3 somou US$ 2,9 bilhões, queda de 28% frente ao quarto trimestre anterior e 2% abaixo das estimativas do BTG. O recuo refletiu a queda sazonal nos volumes (-19%), leve redução nos preços realizados (-2%) e elevação dos custos, com o custo caixa C1 atingindo US$ 24,7 por tonelada (incluindo compras de terceiros), um avanço de 15% frente ao trimestre anterior.

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Excluindo compras de terceiros, o custo C1 ficou em US$ 21 por tonelada, dentro do intervalo projetado para o ano. Segundo o BTG, espera-se que os custos continuem a melhorar ao longo de 2025, o que pode beneficiar os resultados futuros da companhia.

Cobre surpreende positivamente

Na divisão de metais básicos, os números foram mistos. O cobre apresentou Ebitda ajustado de R$ 546 milhões, acima das expectativas, mesmo com queda de 18% nos volumes e preços ligeiramente mais baixos (-3%). A melhora foi impulsionada pela redução de custos operacionais (-12%) e de despesas administrativas, com o ponto de equilíbrio do Ebitda ficando em US$ 1.212 por tonelada.

Já o níquel continuou a decepcionar, com Ebitda ajustado de US$ 41 milhões, abaixo dos US$ 55 milhões do trimestre anterior. A divisão foi afetada por preços menores (US$ 16.106/t) e aumento de custos, que elevaram o ponto de equilíbrio do Ebitda em 13%, de acordo com o relatório sobre a Vale.

Perspectivas cautelosas

Apesar de reconhecer avanços recentes — como a melhora nos custos, progressos em Samarco e no segmento de metais básicos, além de melhorias institucionais —, o BTG optou por manter uma postura cautelosa. O cenário macroeconômico global, especialmente na China, segue incerto, e o conflito comercial em intensificação contribui para pressões sobre o setor siderúrgico e o preço do minério de ferro.

A avaliação da Vale continua pouco atrativa, na visão do banco, com os papéis sendo negociados a aproximadamente 4 vezes o Ebitda estimado para 2025 e dividend yield entre 8% e 10%. O BTG projeta que revisões negativas devem ocorrer ao longo do segundo semestre, à medida que investidores ajustem expectativas para um cenário de preços mais fracos do minério (US$ 95/t em 2025 e US$ 85/t em 2026).

Como foi o balanço no 1TRI25

A VALE3 divulgou lucro líquido de US$ 1,394 bilhão no primeiro trimestre deste ano (1TRI25) frente a US$ 1,695 bilhão obtido no mesmo período do ano passado, tendo uma queda de 17%, segundo o balanço da companhia.

O lucro líquido proforma, por sua vez, foi de US$ 1,5 bilhão no 1TRI25, sendo 13% menor, devido, em grande parte, ao menor ebitda proforma e aos maiores impostos, relacionados ao efeito dos ativos de energia mantidos para venda, de acordo com a mineradora.