O BTG Pactual divulgou nesta terça-feira (30) sua carteira recomendada de ações para julho de 2026, com um movimento de redução adicional de risco diante de um cenário mais nublado para a bolsa brasileira.
“As ações brasileiras perderam apelo para os investidores estrangeiros, e com a inflação acima da meta e as taxas de curto prazo nos EUA subindo, o Banco Central tem espaço limitado para cortar juros”, afirmou Carlos Sequeira, chefe de análise do BTG Pactual.
O pano de fundo é desafiador: a taxa real de longo prazo encerrou junho em 7,9%, pressionada pelos gastos do governo às vésperas das eleições presidenciais de outubro.
“Embora as ações brasileiras pareçam baratas, um cenário mais nebuloso à frente e a ausência de gatilhos de curto prazo claros nos levaram a tornar a carteira um pouco mais defensiva”, explicou Sequeira. A carteira 10SIM do BTG passou por ajustes relevantes em relação ao mês anterior.
Saída de ações de longo prazo e entrada da Ambev
O principal movimento foi a retirada de Localiza (RENT3) e Equatorial (EQTL3) da carteira, reduzindo a exposição a ações de fluxo de caixa de longo prazo. Em contrapartida, o BTG reinseriu a Ambev (ABEV3), que oferece um toque defensivo por meio de balanço sólido, negócio resiliente, forte geração de caixa e dividend yield de 7,5%.
“Com um portfólio único de marcas difícil de ser igualado por seus concorrentes, a Ambev está agora soberbiamente posicionada para recuperar participação de receita”, avaliou Sequeira.
A carteira mantém 20% em utilities – Eneva (ENEV3) e Axia (AXIA3) – e outros 10% em Motiva (MOTV3), com TIR real de 13%.
Allos retorna e Cury ganha mais peso
A operadora de shoppings Allos (ALOS3) voltou à carteira com peso de 5%, oferecendo modelo de negócios previsível, proteção contra a inflação, dividend yield de 13% e TIR real de 13%.
No segmento imobiliário, o BTG elevou o peso de Cury (CURY3) de 5% para 10%, ampliando a exposição às construtoras de baixa renda — segmento visto como mais resiliente no cenário atual de juros elevados.
Petrobras segue como hedge geopolítico
A Petrobras (PETR4) foi mantida na carteira por mais um mês como proteção caso a situação no Oriente Médio se deteriore.
“Mesmo com o petróleo a US$ 70, o dividend yield de 2026 pode chegar a cerca de 11% e os resultados trimestrais devem ser fortes”, destacou Carlos Sequeira.
A fabricante de aeronaves Embraer (EMBJ3), o Itaú (ITUB4) e a empresa de software Totvs (TOTS3) completam a carteira 10SIM de julho.
“O governo está em uma corrida de gastos antes das eleições presidenciais de outubro, pressionando as taxas reais de longo prazo”, ressaltou Sequeira, reforçando a visão de que o cenário fiscal é um dos principais freios para uma eventual reprecificação das ações brasileiras no curto prazo.
Com a carteira mais defensiva, o BTG busca equilibrar a proteção contra riscos com a captura de oportunidades em ativos que oferecem dividendos elevados e modelos de negócio resilientes.
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