O BTG (BPAC11) mantém neutralidade para Petrobras (PETR4) após a companhia divulgar mudanças na política de distribuição de dividendos, ocorrida na última sexta-feira (28). O preço-alvo é de R$ 34.
De acordo com relatório, o mercado aguardava ansiosamente a revisão da política de dividendos da Petrobras, a qual o banco de investimentos vê como a “espinha dorsal” da tese.
“Quantitativamente falando, não vemos o anúncio da última sexta-feira como o catalisador que alguns esperavam, com nossas estimativas de pagamentos futuros permanecendo praticamente as mesmas”, relatou o BTG.
De acordo com o relatório, qualitativamente, os sentimentos são mistos. Embora a nova política transmita uma alocação racional de capital, ela também deixa uma ampla gama de resultados possíveis, acrescentando uma camada de subjetividade a algumas métricas importantes da política.
As principais mudanças incluem um pagamento de 45% da diferença entre o fluxo de caixa operacional e o capex, abaixo dos 60% anteriormente; uma possível revisão do covenant de dívida bruta para distribuição de dividendos (atualmente em US$ 65 bilhões); capex agora contabilizando M&A, e o potencial lançamento de um programa de recompra de ações.
BTG (BPAC11): mudança não é tão ruim quanto se temia
Embora o consenso aponte para o sentido de o controlador não reduzir muito o pagamento de dividendos, o banco de investimentos vê o payout de 45% como um evento de redução de risco, preservando um dividend yield (DY) próximo de 10% por enquanto.
Com base na nova política e no preço do Brent de US$ 80 por barril, a Petrobras está sendo negociada atualmente a 13% de DY para 2024, um pouco mais barato do que a previsão de pagamento de 40% (DY de 12%) antes de sexta-feira.
“Além disso, acreditamos que o fato de que os investidores poderão receber dividendos a cada trimestre e que a empresa estabeleceu uma nova distribuição anual mínima de US$ 4 bilhões (se o preço médio do Brent for superior a US$ 40/bbl) reforça a intenção da nova administração de manter no curto prazo um retorno para acionistas minoritários”, avalia o relatório do BTG.
Com isso, o banco permanece neutro em Petrobras, pois acredita que uma expansão de múltiplo dependerá da disposição do mercado de precificar dividendos extraordinários, descartar fusões e aquisições significativas e ficar mais confortável com a política de preços de combustível da empresa, que considera improvável no curto prazo.
Dados justificam tom menos pessimista
Além disso, o banco de investimentos informou que continua a acreditar que os passos dados pela nova equipa de gestão desde o início do ano justificam um tom menos pessimista para Petrobras. No entanto, o DY de 13% seriam considerados justos.
Nas últimas semanas, os preços dos combustíveis da Petrobras divergiram significativamente da paridade de importação mediante a alta do preço do petróleo (o BTG estima descontos de 34% e 20% para gasolina e diesel, respectivamente). Diante desses fatores, o banco acredita que o mercado deve voltar sua atenção para isso nos próximos dias.
“Um potencial ajuste para cima pode ser muito bem recebido, enquanto um período mais prolongado sem ajustes pode superar a maioria dos aspectos positivos da nova política de dividendos”, aponta outro trecho do relatório.
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