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Brava Energia (BRAV3): novos poços podem elevar produção a 94 mil boe/d

Brava Energia (BRAV3): novos poços podem elevar produção a 94 mil boe/d

Ágora estima que os poços PPT-52 e PPT-53 possam adicionar entre 6 mil e 8 mil barris por dia cada; consolidação de participação no campo ampliaria potencial

A Brava Energia (BRAV3) pode elevar sua produção consolidada dos atuais cerca de 84 mil para 91 mil a 94 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d) até o fim de 2026, impulsionada pela entrada de dois novos poços em Papa-Terra.

Segundo análise do Ágora, cada ativo pode acrescentar entre 6 mil e 8 mil barris por dia à produção de petróleo bruta, reforçando a perspectiva de crescimento operacional da companhia nos próximos meses.

A campanha de perfuração está próxima de começar a contribuir efetivamente para os números da empresa. O primeiro novo poço, PPT-52, já foi perfurado, completado e interligado ao FPSO e está em fase de comissionamento. Já o PPT-53 concluiu a perfuração horizontal e avançou para a etapa de completação.

A expectativa considerada na análise é de que os dois entrem em produção ainda no segundo semestre de 2026.

Histórico de Papa-Terra sustenta projeções

Para estimar a capacidade dos novos poços de Papa-Terra, o Ágora analisou o desempenho dos poços PPT-50 e PPT-51, perfurados anteriormente pela Petrobras com desenho semelhante ao utilizado agora pela Brava Energia. Desconsiderando meses sem produção, normalmente relacionados a períodos de manutenção, os dois ativos entregaram média próxima de 6,5 mil barris por dia cada.

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O histórico também aponta declínio anual inferior a 10%. Em uma curva normalizada, que exclui ainda os meses nos quais a produção ficou pelo menos 30% abaixo da média anual, o volume no primeiro ano chegou a aproximadamente 7,6 mil barris por dia por poço.

Para o Ágora, a referência de 6,5 mil barris diários é alcançável, enquanto os 7,6 mil barris observados na curva normalizada representam uma hipótese mais otimista. É justamente esse intervalo que ajuda a sustentar a projeção de produção bruta entre 6 mil e 8 mil barris por dia para cada novo poço.

Riscos operacionais entram nas contas

Apesar do potencial, a análise chama atenção para os riscos relacionados à operação de um campo offshore maduro. A diferença entre a produção efetivamente observada e a capacidade indicada pela curva normalizada sugere que interrupções operacionais podem reduzir em aproximadamente 10% o volume realizado em relação ao potencial técnico dos poços.

O histórico de intervenções em bombas e paralisações em Papa-Terra reforça a necessidade de considerar esse desconto nas projeções. Dessa forma, embora os novos ativos tenham capacidade para acelerar a produção de petróleo, a continuidade operacional será importante para determinar quanto desse potencial aparecerá efetivamente nos resultados da companhia.

Considerando a atual participação de 62,5% da Brava Energia no campo, o Ágora calcula que PPT-52 e PPT-53 podem levar a produção consolidada da empresa para a faixa de 91 mil a 94 mil boe/d até dezembro de 2026.

Brava Energia pode superar 100 mil boe/d

O potencial pode ser ainda maior caso a companhia consiga consolidar integralmente a participação da NTE em Papa-Terra. Segundo a análise, a transferência já recebeu aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), mas a consolidação ainda depende da decisão final de uma arbitragem, que pode ocorrer nos próximos seis meses.

Nesse cenário, a Brava Energia (BRAV3) poderia superar a marca de 100 mil boe/d. Para 2027, o Ágora trabalha com estimativa de produção de 101,6 mil boe/d, projeção que também considera a entrada de dois novos poços no campo de Atlanta durante o primeiro semestre do próximo ano.

A concretização dessa projeção, portanto, não depende apenas do desempenho dos novos poços de Papa-Terra. O avanço da arbitragem e a execução do cronograma previsto para Atlanta também são componentes importantes para que a companhia alcance esse patamar de produção de petróleo.

Fluxo de caixa pode ganhar força em 2027

Além do crescimento operacional, o Ágora enxerga potencial relevante de geração de caixa. Considerando as premissas de produção projetadas e o petróleo Brent a US$ 70 por barril, a casa estima rendimento do fluxo de caixa livre para o acionista de aproximadamente 38% em 2027.

A análise classifica esse patamar como atrativo, mas ressalta que mantém preferência por Petrobras (PETR3; PETR4) e PRIO (PRIO3) no setor. Segundo o Ágora, as duas companhias apresentam atualmente maior visibilidade sobre a evolução de seus resultados.

Para a Brava Energia, os próximos meses devem, portanto, colocar a execução operacional no centro das atenções. O desempenho de PPT-52 e PPT-53 será importante para mostrar se o potencial indicado pelo histórico de Papa-Terra pode ser convertido em produção efetiva e sustentar a trajetória projetada para 2027.