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SulAmérica mantém provisões elevadas e pode abrir espaço para ganhos futuros da Rede D’Or

SulAmérica mantém provisões elevadas e pode abrir espaço para ganhos futuros da Rede D’Or

Segundo análise do Bradesco BBI, os números do primeiro trimestre de 2026 indicam que a seguradora controlada pela Rede D’Or segue operando com níveis de provisões

A estratégia conservadora adotada pela SulAmérica na constituição de provisões para sinistros ainda não reportados continua chamando a atenção do mercado. Segundo análise do Bradesco BBI, os números do primeiro trimestre de 2026 indicam que a seguradora controlada pela Rede D’Or (RDOR3) segue operando com níveis de provisões significativamente acima dos observados em seus principais concorrentes, o que, embora pressione indicadores atuais, pode representar uma importante alavanca de resultados nos próximos anos.

Os dados divulgados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostram que as provisões de IBNR — sigla em inglês para “sinistros ocorridos, mas ainda não reportados” — atingiram 7,2% da receita da SulAmérica no primeiro trimestre. Na visão dos analistas, o percentual permanece elevado mesmo após uma leve alta na comparação anual.

Quando considerada a média dos últimos 12 meses, o indicador alcançou 4,5% da receita, acima dos 4,3% registrados no quarto trimestre de 2025. O número também supera com folga a média histórica de 1,7% observada entre 2018 e 2023 e fica muito acima dos patamares apresentados por concorrentes como Porto Seguro, com 1,6%, e Unimed Seguros, com apenas 0,7%.

Reforço gradual

O movimento reflete uma política de reforço gradual das provisões iniciada há cerca de três anos. Desde então, o saldo acumulado de IBNR da SulAmérica cresceu de 4,4% da receita, em 2019, para 19,8% no primeiro trimestre deste ano. Para efeito de comparação, a Porto Seguro encerrou o período com um índice de 9,7%.

Apesar dos números elevados, o Bradesco BBI observa um sinal que pode ser interpretado de forma positiva pelos investidores: o ritmo de crescimento dessas provisões parece estar desacelerando. Na prática, isso sugere que a seguradora pode estar se aproximando de um ponto de estabilização após anos de fortalecimento de sua reserva técnica.

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Para os analistas, esse comportamento reflete uma postura deliberadamente prudente da administração da SulAmérica. Em vez de buscar ganhos imediatos por meio da redução das provisões, a companhia tem optado por manter um colchão financeiro robusto para absorver eventuais oscilações na sinistralidade — indicador que mede a relação entre despesas médicas e receitas com planos de saúde.

A própria SulAmérica já reconheceu que adota uma abordagem conservadora, sustentada pela melhora observada na sinistralidade ao longo dos últimos trimestres. Segundo o BBI, esse posicionamento reduz a necessidade de acelerar a liberação das provisões acumuladas, processo que também teria efeitos tributários relevantes.

O ponto central da tese do banco é que, à medida que a sinistralidade em caixa continue se estabilizando, a SulAmérica poderá gradualmente reduzir seus níveis de IBNR sem comprometer a segurança operacional. Caso isso ocorra, a companhia poderia registrar uma melhora adicional em seus indicadores de rentabilidade.

Os cálculos do Bradesco BBI indicam que uma normalização das provisões para níveis próximos de 2% da receita — ainda acima da média histórica — teria potencial para reduzir a sinistralidade em até 2,5 pontos percentuais. O banco, no entanto, trabalha com uma projeção mais cautelosa e considera uma melhora estrutural de 0,7 ponto percentual no longo prazo.

Impactos financeiros

Os impactos financeiros dessa dinâmica podem ser relevantes para a Rede D’Or. De acordo com as estimativas da instituição, cada redução de um ponto percentual na sinistralidade projetada para 2026 pode acrescentar aproximadamente R$ 200 milhões ao lucro líquido da companhia, o equivalente a um aumento de cerca de 4%.

Para os investidores, a mensagem é clara: embora as provisões elevadas da SulAmérica possam parecer um fator de pressão no curto prazo, elas também representam uma reserva de valor que poderá ser convertida em resultados futuros caso o cenário operacional continue evoluindo favoravelmente. Em um setor marcado por ciclos de alta volatilidade nos custos médicos, a prudência de hoje pode se transformar em rentabilidade adicional amanhã.

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