Os BDRs do Inter (INBR32) negociam a cerca de 7,5 vezes o lucro projetado para 2026 e, diante da expectativa de continuidade do crescimento dos resultados, o BTG Pactual avalia que a margem de segurança melhorou de forma relevante, levando a uma visão mais positiva para o papel neste momento.
A revisão ocorre após a equipe do BTG se reunir com executivos do Inter em Belo Horizonte, em uma agenda descrita como um “mini Inter Day”, que incluiu lideranças de diversas áreas estratégicas da instituição. O tom geral foi considerado construtivo, mesmo em meio a um ambiente macroeconômico mais desafiador.
Os analistas destacam que a reação negativa do mercado aos resultados recentes parece ter sido exagerada, especialmente considerando que a execução operacional permanece alinhada às metas de longo prazo. Desde abril, os papéis acumulam queda relevante, ampliando o desconto nos múltiplos.
O banco reforçou o preço-alvo de R$ 51 e a recomendação de compra. O valor, em conjunto com uma expectativa de pagamento de dividendos (yield) de 2,7%, corresponde a um potencial de valorização de 76,1%. Os papeis acumulam baixa de 36% em 2026.
Segundo o banco, as tendências para o segundo trimestre seguem positivas, com expansão da margem financeira, crescimento de receitas com tarifas e ganhos de eficiência operacional.
“Saímos das reuniões com uma visão mais confortável sobre a trajetória de resultados, mesmo diante de um cenário macro mais adverso”, afirmam os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale.
A expectativa é de avanço de cerca de 20 pontos-base na margem financeira no trimestre, além de crescimento próximo de 20% nas receitas com tarifas, impulsionadas pelo maior volume transacionado em cartões.
“Os indicadores operacionais apontam para continuidade da expansão de receitas e melhora gradual da rentabilidade”, dizem Rosman, Buchpiguel e Pascale.
O retorno sobre patrimônio (ROE) também segue no centro da tese, com expectativa de evolução ao longo dos próximos trimestres. A projeção é que o indicador alcance entre 17% e 18% até o fim de 2026.
“A administração demonstra confiança de que o ROE pode atingir pelo menos 20% em alguns anos, apoiado pela inércia dos resultados”, ressaltam os analistas.
Qualidade de crédito e risco sob controle
A qualidade da carteira permanece como principal ponto de atenção entre investidores, especialmente após alguma deterioração em cartões de crédito. Segundo o BTG, no entanto, a pressão tem origem majoritariamente no ambiente macroeconômico, e não em falhas estruturais na concessão.
O banco também reconhece dificuldades pontuais no crédito consignado privado, mas destaca ajustes já implementados na originação e no mix de risco.
“O Inter já observa melhora nas tendências recentes e acredita que os ajustes devem beneficiar as novas safras de crédito”, afirmam Rosman, Buchpiguel e Pascale.
O programa Desenrola 2.0 é apontado como um vetor adicional positivo, com maior volume de regularização de dívidas e impacto favorável tanto na recuperação de crédito quanto em provisões. Além disso, cerca de dois terços da carteira do banco contam com garantias, o que contribui para maior resiliência.

Estratégia de crescimento e rentabilidade
O crédito consignado privado segue como um dos principais motores de expansão do ROE, apesar de um início mais desafiador. O produto apresenta elevada rentabilidade e potencial de cross-sell relevante dentro da base de clientes.
No segmento imobiliário, o Inter também tem apresentado crescimento acima do mercado, especialmente em home equity, com taxas próximas de 50% ao ano e retorno atrativo.
“O crédito com garantia continua sendo peça central na estratégia de crescimento com rentabilidade”, destacam os analistas.
A estratégia inclui ainda avanço em receitas não financeiras, com destaque para o Inter Shop e a plataforma Loop, além de maior foco em investimentos e engajamento dos clientes.
“O banco passou a priorizar a rentabilidade por cliente, em vez de crescimento puro da base”, dizem Rosman, Buchpiguel e Pascale.
Leia também:






