O Bradesco BBI cortou pela metade o preço-alvo da Braskem (BRKM5) para o fim de 2026, de R$ 8 para R$ 4, e rebaixou a recomendação do papel para venda, ante a classificação anterior de neutro. A decisão foi publicada em novo relatório assinado pelos analistas Vicente Falanga e Ricardo França.
A dupla justifica a mudança com base nos resultados muito fracos reportados pela petroquímica no quarto trimestre de 2025, na demanda enfraquecida do mercado químico brasileiro e no aperto adicional sobre os spreads estruturais do setor.
O cenário atual ainda é agravado, segundo o banco, pela valorização do real frente ao dólar, que tende a gerar efeito marginalmente negativo sobre os números da companhia.
Fundamentos sob pressão
O relatório identifica três vetores que podem oferecer algum alívio ao desempenho da Braskem em 2026. São eles a recente aprovação do projeto PRESIQ, as tarifas antidumping de polietileno contra produtos dos Estados Unidos e o aperto temporário da oferta mundial de químicos ligado ao conflito no Irã.
O balanço desses fatores, contudo, não altera a leitura do Bradesco BBI sobre a companhia. Para Falanga e França, a pressão sobre a estrutura de capital da Braskem tende a forçar o próximo controlador a decisões drásticas.
“Espera-se que o fundo IG4 assuma em breve o controle da companhia, o que deve levar a decisões difíceis, potencialmente desfavoráveis aos acionistas nos níveis atuais de preço, com elevada probabilidade de algum tipo de reestruturação de capital, inclusive em vias extrajudiciais ou judiciais”, detalham os analistas.
O Bradesco BBI calcula que a Braskem continue consumindo recursos em ritmo acentuado, com queima de caixa estimada em cerca de US$ 1 bilhão até o fim de 2026 e em aproximadamente US$ 600 milhões até o encerramento de 2027.
A alavancagem também preocupa. Mesmo em um cenário em que o conflito no Irã sustente spreads químicos elevados ao longo de todo o ano de 2026, a análise de sensibilidade dos analistas indica que a relação dívida líquida/Ebitda poderia voltar a superar 10 vezes em 2027, patamar considerado insustentável pela equipe.
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Prêmio sobre os pares
Apesar do corte agressivo no preço-alvo, o Bradesco BBI avalia que o múltiplo atual da Braskem segue desalinhado com o momento operacional. Segundo o relatório, a ação negocia a 9,1 vezes EV/Ebitda projetado para 2026 e a 12,8 vezes para 2027, prêmio médio de cerca de 20% sobre pares internacionais como LyondellBasell e Westlake, quando um desconto seria mais condizente com o quadro atual da companhia.
O novo preço-alvo já parte de um múltiplo rebaixado, alinhado a esse entendimento.
“Reduzimos nosso preço-alvo para o fim de 2026 para R$ 4 por ação, ante R$ 8 por ação anteriormente, com base em um múltiplo justo de 8x EV/Ebitda para 2026, o que ainda incorpora um desconto de 10% em relação a LyondellBasell e Westlake”, escrevem Falanga e França.
Na ponta positiva, o relatório reconhece que spreads químicos sustentados em patamar elevado por mais tempo, inclusive além do conflito no Irã, poderiam levar a Braskem de queima para geração de caixa, assim como um eventual movimento de fusões e aquisições.
Ambos os cenários, contudo, são avaliados pela dupla como de baixa probabilidade, sobretudo diante da estrutura de capital alavancada e dos riscos adicionais associados à operação em Alagoas.






