O Banco do Brasil (BBAS3) deve reportar um dos trimestres mais fracos de sua história recente. O Santander projeta lucro líquido ajustado de R$ 3,1 bilhões no primeiro trimestre de 2026 — queda de 45% na comparação trimestral e de 58% na anual —, com ROE (Return on Equity) de apenas 7%. A prévia foi elaborada pelos analistas Henrique Navarro, Anahy Rios e Lorenzo Giglioli.
O resultado expressivamente inferior ao quarto trimestre de 2025 reflete, em parte, um efeito técnico: os benefícios fiscais extraordinários contabilizados no período anterior inflaram a base de comparação. Contudo, o Santander é enfático ao apontar que há deterioração operacional real.
“Além de projetarmos uma deterioração relevante dos resultados no primeiro trimestre de 2026, acreditamos que a visibilidade ainda é limitada quanto aos fatores que poderiam impulsionar um ponto de inflexão na rentabilidade do banco”, afirmam os analistas.
O balanço do BB será divulgado em 13 de maio.
Agro pressiona qualidade dos ativos
A inadimplência é o principal vetor de pressão no trimestre. O Santander projeta NPL acima de 90 dias chegando a 5,6% — alta de 110 pontos-base em relação ao quarto trimestre de 2025 e de 200 pontos-base na comparação anual. O movimento reflete a migração de atrasos de curto prazo no agronegócio para vencimentos superiores a 90 dias, somada à sazonalidade historicamente negativa do primeiro trimestre no varejo.
“Projetamos provisões ainda elevadas, em R$ 17,7 bilhões, praticamente estáveis na comparação trimestral, mas com alta de 75% na comparação anual”, destacam Navarro, Rios e Giglioli.
No crédito, a carteira deve permanecer estável em relação ao ano anterior, com recuo relevante do apetite no agronegócio e perda de tração no varejo e no segmento corporativo.
Receitas e despesas sob pressão
Nas receitas, a margem financeira líquida deve recuar 3% na comparação trimestral — ainda que avance 13% na anual —, pressionada pela contração dos volumes de depósitos à vista, que eleva o custo de funding no período.
“As receitas com tarifas devem mostrar alguma resiliência, com leve queda na margem sequencial”, projetam os analistas.
Nas despesas, a projeção é de alta de 1% no trimestre e 5% na comparação anual, puxada principalmente pelos gastos com pessoal.
No campo do mercado, o Santander chama atenção para um sinal de cautela: “o aumento recente das posições vendidas em BBAS3 sugere que os investidores já podem estar antecipando um trimestre mais fraco, o que tende a elevar a volatilidade das ações à medida que a divulgação dos resultados se aproxima”.
Para os analistas, 2026 segue sendo, em grande parte, “um ano de transição” para o banco.
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