Os resultados do primeiro trimestre de 2026 divulgados por RTX e GE Aerospace trouxeram boas notícias não apenas para os próprios fabricantes de motores, mas também para a Embraer (EMBJ3). Para os analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, do BTG Pactual, os números reforçam a tese construtiva sobre a fabricante brasileira de aeronaves.
O banco tem recomendação de compra para as ADRs da Embraer, com preço-alvo de US$ 97, o que sugere um potencial de valorização de 48,8%.
“Ambas as divulgações também destacaram o forte momentum que empresas de serviços e aftermarket têm experimentado“, afirmam os analistas.
Como fornecedores diretos da Embraer — a Pratt & Whitney fornece os motores PW1900G para a família E2, enquanto a GE equipa a família E1 —, a melhora operacional dessas companhias tem impacto direto sobre a capacidade de entrega da fabricante brasileira.

RTX e GE acima do consenso
A RTX voltou a elevar seu guidance anual para 2026, com receita esperada entre US$ 92,5 bilhões e US$ 93,5 bilhões e lucro por ação projetado entre US$ 6,7 e US$ 6,9. O trimestre foi marcado por forte desempenho da divisão Raytheon e crescimento de 19% no aftermarket comercial da Pratt & Whitney.
“Acreditamos que ainda é cedo para especular sobre qualquer reversão da tendência de melhora de produção observada nos últimos trimestres”, ponderam Marquiori, Recchia e Alkmim — ressalvando que falta granularidade sobre os motores PW1900G especificamente.
A GE Aerospace foi ainda mais expressiva. A companhia reportou entregas totais de motores com alta de 43% na comparação anual, impulsionadas pelo framework proprietário Flight Deck — sistema de produção enxuta que melhora a coordenação entre fornecedores, fabricantes de aeronaves, companhias aéreas e arrendadores.
A empresa também anunciou investimento adicional de US$ 1 bilhão em manufatura nos Estados Unidos em 2026 e manteve seu guidance anual, com gestão sinalizando expectativa de atingir a faixa superior das projeções.
Impacto direto na Embraer
Para o BTG, os resultados confirmam o estado atual da cadeia de suprimentos da aviação. “Esses resultados reforçam ainda mais o estado atual da cadeia de suprimentos da indústria de aviação, sustentada pelos esforços contínuos dos fabricantes para aumentar a produção e atender a carteiras de pedidos em níveis recordes”, destacam os analistas.
O contexto favorece diretamente a Embraer, que conta com carteira de pedidos de US$ 32 bilhões e segue recebendo novos contratos — como o grande pedido da Finnair para jatos E2 no início do ano.
“A melhora na produção observada nos últimos trimestres está se traduzindo em um ritmo sustentado de entregas de aeronaves“, afirmam Marquiori, Recchia e Alkmim, que reiteram outperform (compra) para o papel.
Com as ações negociando a 11 vezes o EV/Ebitda estimado para 2026 — desconto de dois dígitos em relação aos pares globais —, o BTG entende que o papel sofreu correção excessiva desde o início do conflito no Oriente Médio.
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