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BR Partners terá 1º trimestre “mais difícil do que o esperado”

BR Partners terá 1º trimestre “mais difícil do que o esperado”

BTG Pactual projeta lucro líquido de R$ 35 milhões para a BR Partners no primeiro trimestre de 2026, queda de 21% trimestral e 18% anual,

A BR Partners (BRBI11) deve passar por um primeiro trimestre de 2026 mais difícil do que o esperado — e o BTG Pactual já antecipa o impacto nas estimativas.

Os analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale projetam lucro líquido de R$ 35 milhões no período, queda de 21% trimestral e 18% anual, resultado cerca de 20% abaixo do consenso de mercado.

“Mantemos nossa recomendação de compra, pois continuamos a ver a BR Partners como um veículo atrativo para capturar a melhora do aprofundamento financeiro no Brasil, mesmo que o primeiro trimestre em si não deva ser especialmente empolgante”, afirmam os analistas.

O resultado trimestral será divulgado no dia 7 de maio. O preço-alvo é de R$ 22.

M&A atrasa e S&T decepciona

O principal vetor negativo do trimestre é o atraso na conversão de mandatos de M&A.

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Vários processos ativos no final de 2025 e início de 2026 estão levando mais tempo para serem aprovados — seja por autoridades antitruste ou por outras instâncias regulatórias.

“O início do ano reflete principalmente um descasamento de timing na aprovação de operações, e uma recuperação é esperada ao longo do restante do ano”, explicam Rosman, Buchpiguel e Pascale, com base em reunião realizada com o CEO Ricardo Lacerda, o CFO Jose Flavio e o diretor de RI Vinicius Carmona.

O segmento de Sales & Trading também pressionou o resultado. A menor atividade em debt swap e o ambiente mais competitivo — com bancos locais e internacionais agressivos em precificação — devem levar as receitas da divisão a patamares próximos ao fraco quarto trimestre de 2025.

Juros altos travam decisões

O pano de fundo macroeconômico piorou na margem desde o segundo semestre de 2025.

A expectativa de corte de 300 pontos-base na Selic em 2026 migrou para algo entre 100 e 150 pontos-base, reduzindo o entusiasmo no pipeline de assessoria.

“Este não é um ambiente em que as oportunidades de M&A desapareceram, mas sim um em que as operações precisam ser originadas de forma mais proativa e podem levar mais tempo para converter”, avaliam os analistas.

O DCM, entretanto, segue resiliente. O mix migrou de real estate para debêntures de infraestrutura e crédito estruturado ligado a logística, ferrovias e FDICs de consignado privado.

Wealth Management em construção

O segmento de Wealth Management avança gradualmente, com cerca de R$ 7 bilhões sob gestão — ainda abaixo do patamar de R$ 10 bilhões necessário para atingir o breakeven.

“A direção parece positiva, com gestão satisfeita com a qualidade da equipe e espaço tanto para crescimento orgânico quanto para expansão inorgânica”, destacam os analistas.

Com as ações acumulando queda de 6% no ano, ante alta de 18% do Ibovespa, o BTG avalia que o papel já precifica o cenário mais desafiador — e mantém a visão construtiva para o médio prazo.

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