As empresas de varejo enfrentam alavancagem financeira, pressão no lucro e desaceleração, segundo o BTG Pactual (BPAC11).
Em relatório encaminhado ao mercado, o banco de investimentos destacou que as companhias que atuam nesse segmento estão fortemente ligadas ao cenário macroeconômico.
De acordo com o documento, esse panorama é visto desde o quarto trimestre de 2022, e isso piorou a desalavancagem operacional e a dinâmica do capital de giro, uma tendência comum no primeiro semestre de 2023.
Também traz que a receita líquida consolidada do segundo trimestre do setor cresceu 8,4% a/a (1,4% abaixo das estimativas), o EBITDA caiu 0,4% a/a (3,8% acima das estimativas), com margem caindo 80bps a/a, e o lucro líquido caiu para R$127 milhões (contra R$1,6 bilhões no segundo trimestre de 2022).
E acrescenta que fatores como uma taxa livre de risco maior e o risco-país impactaram o custo do capital próprio e levaram as ações de crescimento a terem um desempenho inferior em 2022 e início de 2023.
“No entanto, houve uma virada nos últimos meses”, disse, elencando que embora o beta do setor de varejo já seja baixo, algumas empresas ainda mostram potencial para que o beta (e o custo do capital próprio) tenha redução, principalmente se as taxas de juros caírem mais rapidamente, desencadeando uma reação positiva de curto prazo.
BTG analisa empresas de varejo
Para o BTG, o debate sobre o desempenho do setor gira em torno de cinco variáveis. “Primeiro, os altos custos de financiamento continuam pressionando o lucro líquido, mas possíveis cortes nas taxas podem favorecer ações de long duration e com balanços alavancados”, ressaltou.
E complementou: “segundo, a inflação ainda prejudica a renda das famílias, mas sua desaceleração também reduziu as pressões de custo, o que deve beneficiar algumas empresas no segundo semestre.”
Em terceiro o banco frisou que as varejistas que atendem a famílias de maior renda podem continuar apresentando números razoáveis, apesar da esperada desaceleração econômica, com a ARZZ se destacando no terceiro trimestre.
Alavancagem financeira
Ainda de acordo com a instituição financeira, em quarto lugar a alavancagem financeira continua sendo uma variável-chave, mesmo com a queda das taxas de juros, limitando a capacidade de investir.
“E, finalmente, o setor também é influenciado pela Reforma Tributária e pelas recentes preocupações com a tributação de plataformas internacionais”, disse.
E concluiu: “mantemos uma visão conservadora em relação à exposição ao setor de varejo, com uma combinação de empresas com momento mais sólido, oferecendo menos espaço para queda no lucro líquido, mas também empresas expostas às melhorias macroeconômicas do Brasil (MELI, Renner, Smartfit e Arezzo).”.
Ativos
As empresas citadas estão listadas sob os seguintes tickers:
Bolsa
Por volta das 15h a ação BPAC11 estava cotada em R$ 31,51.

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