O Ibovespa recuou 1,7% na semana em dólares, desempenho pior do que o índice de mercados emergentes, que avançou 0,6%, e o S&P 500, que ficou estável. Para o Bank of America, o mercado acionário brasileiro perdeu a característica de ativo barato – e o dado sustenta essa visão.
“As ações brasileiras já não estão baratas em termos de valuation, com o Ibovespa ex-commodities negociando com prêmio de 6% em relação à média histórica, embora ainda com desconto de 3% frente aos emergentes”, aponta o relatório.
Fluxos melhoram, mas saída no ano persiste
Os fluxos para fundos de ações brasileiros deram sinais de melhora na última semana, com entrada de cerca de R$ 30 milhões.
Entretanto, o acumulado do ano ainda é negativo.
“Vimos saídas de quase R$ 9 bilhões no acumulado do ano, versus R$ 48 bilhões negativos em 2025 e R$ 30 bilhões negativos em 2024”, destaca o banco — sinalizando que, apesar da melhora relativa, o investidor local segue cauteloso com a bolsa brasileira.
No campo global, o fluxo para emergentes excluindo China segue positivo. Foram US$ 1,4 bilhão na semana, elevando o acumulado do ano para US$ 96 bilhões — o dobro do registrado no mesmo período de 2025.
MSCI no radar em maio
O evento mais aguardado para as próximas semanas é a revisão do MSCI, com anúncio marcado para 12 de maio e vigência a partir de 1º de junho.
Nessa rodada, o índice implementará mudanças nas regras de arredondamento do free float — alteração que deve impactar as ponderações de papéis globalmente e gerar fluxos relevantes de rebalanceamento.
“Nossa lista preliminar sugere que as ações ordinárias do Itaú (ITUB3), Itaú Chile e Aura Minerals (AURA33) podem ser adicionadas, enquanto Totvs (TOTS3), Chedraui e CMPC podem ser removidas”, aponta o relatório.
Uma eventual inclusão do ITUB3 seria especialmente relevante, dado o peso do Itaú (ITUB4) no Ibovespa e o potencial de fluxo passivo que acompanha adições ao índice global.
No portfólio brasileiro, o BofA segue preferindo empresas alavancadas com geração de caixa resiliente, financeiras e utilities de maior crescimento — visão que se mantém inalterada diante do cenário de juros elevados e volatilidade geopolítica.






