O Bank of America reduziu os preços-alvo da Tim (TIMS3) e da Vivo (VIVT3) após os resultados do segundo trimestre de 2026, citando desaceleração na receita móvel, cenário competitivo mais nebuloso e riscos da reforma tributária.
O preço-alvo da Vivo foi cortado de R$ 39 para R$ 37, e o da Tim de R$ 27 para R$ 24. Ambas as recomendações seguem em underperform (venda).
“Reduzimos os preços-alvo da Vivo e da Tim em função de revisões negativas de lucro, aumento no custo de capital e um cenário competitivo mais desafiador para 2027”, afirmam Rogerio Araujo e Lucca R. Brendim, analistas do Bank of America.
Vivo resiste, Tim e Claro desaceleram
Os resultados do segundo trimestre de 2026 trouxeram uma divergência clara entre as operadoras. A Vivo se destacou como a única grande operadora a manter o ritmo de crescimento na receita de serviços móveis, com avanço de 6,6% anual — à frente da Claro, com 6,1%, e da Tim, com 4,6%.
A Tim, por sua vez, viu sua receita móvel gerada por clientes — mais de 80% do total — crescer apenas 3,1% anual, 1,5 ponto percentual abaixo da inflação, marcando o primeiro trimestre de crescimento real negativo desde a consolidação de 2022.
Contudo, o BofA pondera que a vantagem competitiva da Vivo pode ser mais frágil do que parece.
“A resiliência da Vivo é encorajadora, mas acreditamos que seu desempenho relativo pode se mostrar passageiro se as concorrentes passarem a equiparar sua postura comercial”, alertam Araujo e Brendim.
Na visão dos analistas, parte do melhor desempenho da Vivo pode estar relacionada a uma abordagem promocional mais agressiva.
Racionalidade pode estar cedendo
A dinâmica competitiva ficou explícita na teleconferência da Tim. A gestão explicou que concorrentes passaram a oferecer descontos abaixo da linha de forma mais ampla a partir do final de 2025 — provavelmente em resposta à postura mais agressiva das MVNOs no quarto trimestre de 2025 —, e que a Tim, que vem perdendo participação de mercado, está respondendo com um portfólio reformulado para o terceiro trimestre de 2026.
“Notavelmente, nenhuma operadora elevou os preços nos planos pré-pagos e híbridos de entrada no Brasil neste ano, e há pouco apetite para dar o primeiro passo — uma relutância que a Tim e a Claro sinalizaram abertamente, enquanto a Vivo foi menos explícita”, destacam os analistas.
Esse cenário corrobora o tom cauteloso da América Móvil, que sinalizou um mercado de precificação mais agressivo e indicou que responderia se a tendência persistir.
Reforma tributária assimétrica pesa mais sobre Tim
Além da competição, o BofA aponta a reforma tributária como um risco relevante para 2027, com impacto assimétrico entre as operadoras.
A estimativa é de aumento de cerca de 4 pontos percentuais nos impostos sobre vendas para a Tim e de 3 pontos percentuais para a Vivo — contra menos de 1 ponto percentual para a Claro. Essa potencial reversão parcial dos cortes de ICMS de 2022 pode limitar a capacidade de Tim e Vivo de sustentar crescimento real de receita e expansão de margens no próximo ano.
“A reforma tributária é um risco relevante: esperamos que ela pressione os impostos sobre vendas e as margens da Tim e, em menor grau, da Vivo, enquanto a Claro deve sair relativamente favorecida”, concluem Rogerio Araujo e Lucca R. Brendim.
O aumento no custo de capital — de 25 pontos-base para a Vivo e 28 para a Tim, refletindo a alta da taxa livre de risco americana e do prêmio de risco do Brasil — contribuiu adicionalmente para os cortes nos preços-alvo.






