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Banrisul tem contrato abaixo do esperado com governo do RS

Banrisul tem contrato abaixo do esperado com governo do RS

Pagamento elevado em contrato mais curto aumenta pressão anual e reduz retorno econômico para o banco

O Banrisul (BRSR6) anunciou os termos finais do contrato de consignação com o governo do Rio Grande do Sul, prevendo um pagamento antecipado de R$1,26 bilhão, valor considerado alinhado ao piso indicado pelo Estado, mas abaixo do esperado em termos econômicos, segundo análise do BTG Pactual. O acordo tem duração de cinco anos, metade do prazo anterior.

Para os analistas Ricardo Buchpiguel, Eduardo Rosman e Antonio Pascale, a redução do prazo altera de forma relevante a equação financeira do contrato.

Embora o valor absoluto esteja em linha com o pagamento feito na renovação anterior, a redução do prazo para cinco anos praticamente dobra o custo anual implícito do contrato”, afirmam.

O banco ressalta que essa mudança ocorre em um momento de menor rentabilidade da instituição, o que amplia o peso financeiro do compromisso ao longo do período contratual.

Impacto em lucros e capital

O pagamento será realizado imediatamente após a assinatura, gerando uma saída relevante de caixa e o reconhecimento de um ativo intangível no mesmo montante. Esse tipo de ativo, no entanto, é deduzido do capital regulatório, pressionando os indicadores do banco.

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Segundo o BTG, o índice de capital principal (CET1) deve cair cerca de 190 pontos-base, de 14,1% para aproximadamente 12,2%. “Apesar da queda, o nível de capital ainda permanece confortável, mas com menor margem de flexibilidade”, dizem Buchpiguel, Rosman e Pascale.

No resultado, o principal impacto vem da amortização do contrato em um prazo mais curto. Com isso, a despesa mensal deve praticamente dobrar, além da perda de receita financeira associada ao desembolso de caixa.

“O efeito combinado de maior amortização e menor receita de juros deve pressionar os resultados de forma relevante nos próximos anos”, afirmam os analistas.

A estimativa do banco é de impacto negativo de cerca de R$ 80 milhões no lucro de 2026 e R$ 160 milhões em 2027.

Reação do mercado e riscos adicionais

O BTG projeta uma reação negativa das ações no curto prazo, diante de termos considerados menos favoráveis do que o esperado. O acordo elimina uma incerteza importante, mas não resolve as preocupações estruturais com a rentabilidade do banco.

“Apesar da correção recente no preço das ações, ainda vemos um perfil de geração de lucros enfraquecido, com retorno sobre patrimônio abaixo de 10% em 2026”, dizem os analistas. O papel negocia próximo de 0,5 vez o valor patrimonial, refletindo esse cenário.

Além disso, o banco aponta que permanecem riscos relevantes relacionados à qualidade dos ativos, com deterioração observada no início de 2026 tanto na carteira de pessoas físicas quanto corporativa. Há também incerteza sobre a evolução da inadimplência no agronegócio após o fim de períodos de carência.

No saldo final, o BTG avalia que o novo contrato traz mais clareza, mas com condições financeiras ligeiramente piores do que o antecipado.

“A renovação remove uma incerteza importante, mas os termos vieram um pouco mais apertados, reforçando nossa visão cautelosa sobre o case”, concluem Buchpiguel, Rosman e Pascale.

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