A B3 ($B3SA3) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com resultados históricos, impulsionada pelo aumento da atividade nos mercados de ações e derivativos em meio às expectativas de queda dos juros e ao avanço do fluxo estrangeiro para a bolsa brasileira.
A companhia informou receita de R$ 3,2 bilhões entre janeiro e março, valor recorde para um trimestre e 20,5% superior ao registrado no mesmo período de 2025. Em relação ao quarto trimestre do ano passado, o crescimento foi de 8,5%.
O lucro líquido recorrente somou R$ 1,5 bilhão, alta de 33,1% na comparação anual. Já o lucro por ação recorrente avançou 38,6%, para R$ 0,30, refletindo também o programa de recompra de ações executado pela empresa nos últimos 12 meses.
Segundo o diretor-executivo Financeiro e de Relações com Investidores da B3, André Veiga Milanez, o desempenho foi sustentado pela combinação entre receitas ligadas à atividade de mercado e negócios de caráter recorrente.
As chamadas receitas pró-cíclicas, relacionadas principalmente aos segmentos de derivativos e renda variável, cresceram 23,7% no período. Já as receitas recorrentes avançaram 17,2%, mantendo a trajetória de expansão observada nos últimos trimestres.
Volume negociado dispara com entrada de capital estrangeiro
No segmento de mercados, principal fonte de receita da companhia, o faturamento atingiu R$ 2,1 bilhões, avanço de 20,8% sobre um ano antes.
Em derivativos, o volume médio diário negociado alcançou 13,2 milhões de contratos, crescimento de 16,4% na comparação anual. Os contratos de juros em reais tiveram destaque, beneficiados pelo aumento da volatilidade global e por eventos geopolíticos.
As opções de Copom também ganharam espaço no trimestre. O volume médio diário desses contratos saltou mais de 350% em relação ao mesmo período de 2025, contribuindo com cerca de R$ 25 milhões em receitas.
Na renda variável, o volume financeiro médio diário negociado no mercado à vista chegou a R$ 34,8 bilhões, avanço de 46% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. A B3 atribui o resultado principalmente à entrada de investidores estrangeiros, que movimentaram R$ 53,8 bilhões no período.
Os negócios com ETFs, BDRs e fundos listados também apresentaram expansão, com crescimento de 57,5% no volume médio diário negociado.
No mercado de renda fixa, a companhia registrou aumento tanto nas emissões quanto no estoque de instrumentos financeiros. Os volumes de CDBs, LCIs, LCAs e debêntures seguiram em alta, refletindo a demanda por ativos de crédito privado.
O Tesouro Direto encerrou março com 3,4 milhões de investidores, número 12,7% superior ao de um ano antes.
Tecnologia, dados e novos produtos sustentam expansão
A área de tecnologia e dados também manteve crescimento. A receita do segmento de Tecnologia e Plataformas avançou 14,8%, para R$ 527,6 milhões, apoiada pelo aumento da base de clientes e pelos reajustes de preços ligados à inflação.
Entre os lançamentos do trimestre, a B3 destacou novos contratos de eventos financeiros vinculados ao Ibovespa, dólar e Bitcoin, além da ampliação do horário de negociação de contratos futuros de criptoativos.
A companhia também ampliou sua infraestrutura de co-location, com novos racks de alta densidade voltados a clientes institucionais que demandam maior velocidade e capacidade operacional.
As despesas totais da companhia somaram R$ 918,7 milhões no trimestre, alta de 10,9% em relação ao primeiro trimestre de 2025. Segundo a empresa, o avanço foi impactado principalmente por mudanças operacionais no Sistema Nacional de Gravames (SNG) e por provisões relacionadas a disputas judiciais.






