Milton Maluhy, CEO do Itaú Unibanco, concedeu entrevista à agência Broadcast e detalhou sua visão sobre estratégia digital, crédito, endividamento das famílias e o ambiente regulatório brasileiro.
O BTG Pactual compilou os principais destaques da conversa para seus clientes.
Transformação digital fecha lacuna com fintechs
Maluhy afirmou que o Itaú concluiu sua transformação digital e cultural e pode agora competir em igualdade de condições com qualquer player do mercado financeiro — seja tradicional ou digital.
A lacuna que o banco tinha em relação às fintechs em termos de velocidade de entrega, modernização de plataforma, modelo de trabalho e foco no cliente foi, segundo ele, amplamente eliminada nos últimos anos.
Crédito com cautela: crescimento perto do meio do guidance
No campo do crédito, o tom do CEO foi conservador. O Itaú mantém o guidance de crescimento da carteira de empréstimos entre 5,5% e 9,5% para 2026, mas Maluhy indicou que a expansão deve ficar mais próxima do meio do intervalo do que do teto, dado o ambiente global e doméstico mais incerto.
O CEO foi direto ao afirmar que o banco prefere preservar uma instituição sustentável, com resultados sólidos e custo de crédito bem gerenciado, a simplesmente acelerar volumes.
O crédito consignado privado foi destacado como uma avenida relevante de crescimento: o Itaú lidera em originação, mantém inadimplência abaixo da média do mercado e oferece algumas das menores taxas do segmento.
Embora a participação de mercado do banco tenha recuado de cerca de 30% em um mercado de R$ 40 bilhões para aproximadamente 20% em um mercado que já alcança R$ 100 bilhões, a expansão do segmento amplia o pool total de receitas com crédito potencialmente menos arriscado.
FGC, Desenrola e trajetória fiscal no radar
Sobre o endividamento das famílias, Maluhy se mostrou construtivo em relação ao Desenrola 2.0, programa desenvolvido em diálogo aberto entre bancos, Ministério da Fazenda e governo.
Na sua avaliação, o programa atingiu um formato equilibrado e apresenta resultados iniciais positivos na ajuda às famílias em um ciclo de crédito mais pressionado.
Sobre as regras do FGC após a liquidação do Banco Master, o CEO afirmou que o tema está em discussão em grupos de trabalho com associações do setor e todas as partes do sistema financeiro. Propostas já estão sobre a mesa, com as decisões finais cabendo ao Banco Central e ao CMN.
No campo macro, Maluhy reforçou que a trajetória fiscal do Brasil e sua capacidade de reduzir o custo estrutural de capital seguem como variáveis-chave para a demanda por crédito, qualidade dos ativos e atividade de investimento de longo prazo.






