A B3 ($B3SA3) deve fechar o 2º trimestre de 2026 com lucro líquido de R$ 1,61 bilhão, avanço de 26,1% em um ano e de 7,3% sobre os três meses anteriores, segundo as projeções da Genial Investimentos.
O Ebitda estimado, de R$ 1,90 bilhão, conta uma história diferente: cresce 5,9% na comparação anual, mas cede 7,3% ante o 1º trimestre de 2026. A receita bruta projetada é de R$ 3,09 bilhões, com queda sequencial de 3,4%.
O freio veio dos volumes. O giro médio diário da bolsa deve somar R$ 32,1 bilhões, 12,4% abaixo do trimestre imediatamente anterior, e a receita da divisão de Markets recua para R$ 2,02 bilhões.
Receitas recorrentes ganham espaço
“Após um primeiro trimestre impulsionado pela elevada volatilidade dos mercados globais, com fluxo de investidores estrangeiros muito favorável, projetamos uma normalização das receitas ligadas à negociação de derivativos e ações”, afirmou Eduardo Nishio, analista da Genial Investimentos.
O contrapeso está nas linhas que não dependem do pregão. Tecnologia e Plataformas devem crescer 14,9% em um ano, Soluções Analíticas de Dados avançam 30,6% e Soluções para Mercado de Capitais, 29,5%.
Nas despesas, a reorganização da alta administração tende a pressionar o trimestre, movimento amenizado pela normalização das provisões contabilizadas nos três primeiros meses do ano. No caminho inverso, a venda da participação na Dimensa deve render cerca de R$ 100 milhões, e a alíquota efetiva projetada cai para 16,5%.
A conta tributária, contudo, sobe adiante. O Imposto de Renda e a CSLL saem de 34% para 40% em duas etapas, com aumento de 3 pontos percentuais em abril de 2026 e outros 3 pontos em 2028.
“A B3 possui aproximadamente R$ 4 bilhões em base acumulada para pagamento extraordinário de Juros sobre Capital Próprio (JCP), o que deve compensar grande parte do aumento da carga tributária ao longo de 2026 e 2027”, disse Alan Frydman, analista da Genial.
Múltiplo abaixo das bolsas globais
A recomendação segue em compra, com preço-alvo de R$ 22,10. A ação negocia a 13,4 vezes o lucro projetado para 2026 e a 13,0 vezes o de 2027, ante 22 vezes da média das principais bolsas globais.
O ciclo de queda da Selic, ainda que suave, tende a estimular a atividade do mercado de capitais. Já o calendário eleitoral de 2026 aponta para mais volatilidade nos ativos brasileiros, e a bolsa costuma ser o primeiro veículo de quem quer capturar esse movimento.
“Esperamos que a A5X, no mercado de derivativos, e a Base Exchange, no mercado à vista, iniciem suas operações em 2027. Ainda assim, esperamos impactos limitados no curto e médio prazo, diante dos fortes efeitos de rede, da elevada liquidez e das barreiras de entrada que caracterizam o mercado brasileiro”, escreveram Eduardo Nishio e Alan Frydman.






