Home
Notícias
Ações
Hidrovias do Brasil: gargalos operacionais preocupam mercado

Hidrovias do Brasil: gargalos operacionais preocupam mercado

O resultado foi impulsionado principalmente pela redução das despesas financeiras, mas veio acompanhado de uma piora operacional

A Hidrovias do Brasil (HBSA3) registrou lucro líquido de R$ 100 milhões no segundo trimestre do ano (2T26), alta de 96,1% em relação aos R$ 51 milhões registrados um ano antes. O resultado foi impulsionado principalmente pela redução das despesas financeiras, mas veio acompanhado de uma piora operacional que mantém os gargalos no Corredor Norte como principal preocupação.

A avaliação é do Safra, que manteve recomendação neutra para as ações da companhia. Segundo o banco, a menor participação do Sistema Integrado, que possui margens mais elevadas, e o aumento das despesas operacionais pressionaram a rentabilidade no trimestre.

A receita líquida caiu 4% na comparação anual, para R$ 664 milhões, impactada principalmente pela venda do negócio de Navegação Costeira. Desconsiderando esse efeito, a receita teria crescido 7%.

No Brasil, a receita avançou 6%, para R$ 359 milhões, beneficiada pelo aumento de 35% nos volumes em Santos e pelo reconhecimento de receitas de contratos take-or-pay relacionados a fertilizantes no Corredor Norte. Esses ganhos, porém, foram parcialmente compensados pela piora do mix de cargas.

O volume do Sistema Integrado caiu 14% em um ano, para 1,27 milhão de toneladas, enquanto o transporte de fertilizantes despencou 70%, para 44 mil toneladas. Em contrapartida, os volumes da operação rodoviária direta, de menor margem, cresceram 35%, para 777 mil toneladas.

Publicidade
Publicidade

No Paraguai, a receita aumentou 8%, para R$ 305 milhões, apoiada por uma alta de 10% nos volumes, que chegaram a 1,56 milhão de toneladas. O transporte de minério de ferro foi o principal destaque, com crescimento de 38%.

Ebitda recua 7,5%

O Ebitda recorrente ajustado somou R$ 322 milhões, queda de 7,5% na comparação anual e 4% abaixo da estimativa do Safra. A margem Ebitda ficou em 48,5%, recuo de 2 pontos percentuais em relação ao 2T25.

No Brasil, o Ebitda recorrente ajustado ficou praticamente estável, em R$ 184 milhões, mas a margem caiu 3 pontos percentuais, para 51%. Além do mix menos favorável, as despesas operacionais aumentaram com maiores gastos em serviços terceirizados e tecnologia.

No Paraguai, o Ebitda recuou para R$ 138 milhões, ante R$ 140 milhões um ano antes, enquanto a margem caiu 4 pontos percentuais, para 45%, pressionada pela menor eficiência operacional e pelo aumento dos custos de transporte.

Dívida líquida cai 29%

Apesar da pressão operacional, a estrutura financeira da Hidrovias do Brasil apresentou melhora. As despesas financeiras líquidas caíram 5% em um ano, para R$ 100 milhões, beneficiadas pela redução das perdas de marcação a mercado e pela menor dívida média.

A dívida líquida caiu 29%, para R$ 2,2 bilhões, enquanto a alavancagem recuou de 4 vezes no 2T25 e 2,7 vezes no 1T26 para 2,4 vezes.

Para o Safra, porém, os gargalos no Corredor Norte ainda não foram totalmente solucionados e podem continuar pressionando os resultados no terceiro trimestre. O banco também alerta para riscos adicionais no quarto trimestre caso um El Niño forte prejudique as condições de navegabilidade. A Hidrovias é negociada atualmente a 22,8 vezes o lucro estimado para 2026, prêmio de 83% sobre a média histórica de cinco anos, de 12,5 vezes.

Leia também: