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Azzas 2154 vive momento de turnaround, avaliam analistas após balanço

Azzas 2154 vive momento de turnaround, avaliam analistas após balanço

Estoque das franquias chegou a sete meses de cobertura em setembro de 2025, levando a empresa a reduzir deliberadamente volumes de vendas

Azzas 2154 (AZZA3) vive um momento de turnaround, ou seja, reviravolta em suas operações. Foi assim que os analistas de mercado avaliaram o resultado do quarto trimestre de 2025 apresentado na noite de quarta-feira (12).

A companhia encerrou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido recorrente de R$ 168 milhões, praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior, em queda de 0,5%. 

A receita líquida somou R$ 3,263 bilhões, recuo de 4,1% na comparação anual, enquanto o EBITDA recorrente ficou em R$ 501,1 milhões, baixa de 3,5%. Apesar da pressão sobre a linha operacional, a margem EBITDA avançou 0,1 ponto percentual, para 15,4%.

“Apesar da pressão de curto prazo sobre a receita, os fundamentos operacionais melhoraram significativamente, com a Hering gerando R$ 112 milhões em caixa no 4T25, em comparação com uma queima de caixa de aproximadamente R$ 4 milhões no 4T24”, apontam os analistas do BTG Pactual.

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Os analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon ressaltam que o período também incluiu diversas iniciativas estruturais, como renovação da liderança, redesenho do ciclo operacional, insights mais profundos sobre o consumidor, maior engajamento com as franquias, reestruturação da força de vendas multimarcas, medidas de eficiência em compras e logística, reformulação do sortimento e políticas mais rigorosas de remarcação de preços e gestão de estoque.

Simplificação da estratégia

“Priorizamos integração, simplificação de portfólio e disciplina operacional, com foco na criação de uma organização mais eficiente, resiliente e preparada para executar de forma consistente em diferentes ciclos econômicos”, afirmou o CEO da Azzas Alexandre Birman, em nota.

O BTG pontua que as vendas para as franquias foram pressionadas pela decisão de não antecipar o faturamento da coleção de outono de 2026 (prática utilizada em anos anteriores), o que reduziu a receita em cerca de R$ 38 milhões; ajustado por esse efeito, a receita bruta das marcas remanescentes teria caído 8,2% a/a em vez de 12,7%.

“A empresa também reduziu deliberadamente os volumes de vendas para as franquias para normalizar os elevados níveis de estoque, que haviam atingido aproximadamente sete meses de cobertura em setembro de 2025”, escreveram os analistas.

“Embora haja sinais de avanço operacional – incluindo a melhora do ciclo de caixa, os esforços de eficiência e a continuidade das iniciativas de transformação da Hering – o desempenho mais fraco de Basic/Hering e Shoes & Bags, que representam quase metade da receita consolidada, continua limitando o potencial de expansão de margens no curto prazo”, pontuaram os analistas do Bradesco BBI.

Eles detalham que as iniciativas estratégicas em andamento apontam para progresso, mas uma recuperação mais consistente só deve ganhar tração a partir do segundo semestre de 2026.

“Até lá, a visibilidade para lucros, evolução de LPA (lucro por ação) e normalização das operações segue reduzida, o que pode manter os múltiplos pressionados. Ainda assim, enxergamos valor no foco crescente em geração de caixa e na disciplina de capital, fatores que sustentam uma visão construtiva no médio prazo”, concluem Pedro Pinto e Flávia Meireles.