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Azul prepara grupamento de ações para votação em AGE; entenda

Azul prepara grupamento de ações para votação em AGE; entenda

A ideia é que a companhia consiga acelerar sua saída da recuperação judicial, antes prevista para o segundo semestre deste ano

A Azul (AZUL53) prepara mais um passo dentro do processo de recuperação Chapter 11, que vem enfrentando na justiça dos Estados Unidos. Após ter feito um desdobramento de 100 para 1, agora a companhia pretende levar para votação em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), um agrupamento na proporção de 75 para 1. Ou seja, cada grupo de 75 papéis será aglutinado em apenas um.

E o que está por trás dessa proposta? A ideia é que a companhia consiga acelerar sua saída da recuperação judicial, antes prevista para o segundo semestre deste ano. Não ocorrerá alteração do capital social da companhia e a votação da AGE está prevista para 12 de fevereiro.

Nesta segunda-feira (26), os papéis da companhia continuam em trajetória de queda. O recuo é de pouco mais de 5%, com os papéis sendo negociados a aproximadamente R$ 10.

Novo plano de negócios da Azul (AZUL53)

Na semana passada, a companhia aérea aprovou um plano de negócios atualizado, reforçando a expectativa de sair do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, em uma posição financeira significativamente mais sólida. A companhia aérea afirma que o novo plano mantém a projeção de uma estrutura de capital mais equilibrada, com menor endividamento total, redução relevante dos passivos de arrendamento e uma alavancagem consideravelmente inferior à observada antes do processo.

De acordo com o comunicado, o plano atualizado incorpora novos desenvolvimentos que reduzem de forma relevante os riscos da reestruturação. Entre eles estão acordos firmados com fabricantes de aeronaves, que ajustam e melhoram o cronograma de entrega da frota, além de negociações com bancos locais que resultaram em condições comerciais mais favoráveis à empresa. O documento também reflete os resultados efetivos da Azul até novembro de 2025 e o acordo alcançado com o Comitê de Credores Quirografários no âmbito do Chapter 11.

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Segundo o plano, mesmo após as revisões, a companhia mantém a estimativa de sair do processo com uma alavancagem líquida pro forma de aproximadamente 2,5 vezes, patamar considerado mais compatível com a geração de caixa esperada para o novo ciclo operacional da empresa.

Quase US$ 1 bi captado

Outro ponto de destaque é o reforço no apoio financeiro por parte de credores e stakeholders. Conforme permitido pelo plano de reestruturação, determinados investidores concordaram em realizar um aporte adicional de US$ 100 milhões, o que viabiliza uma saída antecipada do Chapter 11. Com esse reforço, somado à garantia firme de subscrição de US$ 650 milhões na oferta pública prevista para a saída do processo e aos US$ 200 milhões a serem investidos por investidores estratégicos, o volume total de recursos a ser captado pela Azul sobe de US$ 850 milhões para US$ 950 milhões. Para a companhia, o movimento sinaliza confiança no plano de negócios e na viabilidade de longo prazo da empresa.

A Azul também informou que discute um plano alternativo com seus stakeholders, ainda sujeito à assinatura de contratos definitivos, que permitiria a saída do Chapter 11 antes mesmo da obtenção de todas as aprovações regulatórias relacionadas aos investimentos estratégicos. Nesse cenário, os aportes seriam estruturados de forma a preservar o racional econômico originalmente previsto, possivelmente por meio da emissão de bônus de subscrição, cujo exercício ficaria condicionado às autorizações regulatórias necessárias.

No campo societário, a companhia detalhou avanços relevantes na implementação das etapas previstas no plano de reestruturação. Em janeiro de 2026, o Conselho de Administração reconheceu o exercício de centenas de bilhões de bônus de subscrição, o que resultou na emissão de trilhões de novas ações ordinárias e preferenciais. Com a conversão obrigatória das ações preferenciais em ordinárias, o capital social da Azul foi elevado em mais de R$ 1,15 bilhão.

Além disso, foi homologada a conversão obrigatória das debêntures conversíveis da primeira emissão da companhia, conforme aprovado em assembleia de debenturistas. Essa etapa resultou na emissão de mais de 102 trilhões de novas ações ordinárias e em um novo aumento de capital superior a R$ 1,03 bilhão. Após essas operações, o capital social da Azul passou a somar cerca de R$ 16,77 bilhões, dividido em aproximadamente 694 trilhões de ações ordinárias.

O plano também prevê a possibilidade de emissão de bônus de subscrição em favor de credores quirografários. Caso exercidos, esses instrumentos poderão representar até 5,5% do capital da companhia em bases totalmente diluídas, respeitadas as condições estabelecidas no plano e os direitos de preferência dos atuais acionistas.

Por fim, a Azul confirmou que realizará uma nova oferta pública com registro automático na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para captar até US$ 950 milhões em novos recursos. A operação será ancorada por investidores já comprometidos com o plano de reestruturação e contará com investidores estratégicos. As ações dessa oferta serão emitidas com desconto de 30% em relação ao valor da companhia definido no Chapter 11, o que deve resultar em uma diluição estimada em cerca de 80% da base acionária então existente.

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