O banco Safra rebaixou a recomendação das ações da Aura (AURA33) de outperform (compra) para neutro, citando valuation esticado após um rali expressivo. Os analistas Ricardo Monegaglia e Caique Isidoro elevaram o preço-alvo de US$ 102,5 para US$ 110 por BDR, mas avaliam que o papel já reflete boa parte das qualidades operacionais da companhia.
“A Aura acumula alta de cerca de 94% no ano e de aproximadamente 12% desde nossa atualização no início de março, superando massivamente o GDX (+10%) e o GDXJ (+11%)”, destacam os analistas — referindo-se aos principais índices de mineradoras de ouro globais. A forte performance levou o papel a múltiplos menos atrativos na comparação com pares.
Valuation esticado reduz atrativo relativo
O principal argumento para o rebaixamento é o reposicionamento dos múltiplos. A Aura Minerals agora negocia a 1,15 vez o P/NAV (preço sobre o valor líquido dos ativos) — acima da média de 0,92 vez das juniores e de 0,99 vez das intermediárias. O EV/Ebitda para o período 2026–2029 também se aproximou dos pares, em 4,8 vezes, contra 4,4 vezes para juniores e 4,5 vezes para intermediárias.
O ponto mais sensível, contudo, é a geração de caixa.
“Vemos FCFE yield (Rendimento do Fluxo de Caixa Livre para o Acionista) reduzido de cerca de 3% em 2026 e 2027”, apontam Monegaglia e Isidoro — número que compara desfavoravelmente com os 14% das juniores e os 12% das intermediárias sob premissas similares de preço do ouro.

Operação sólida, mas já no preço
Do ponto de vista operacional, a Aura Minerals segue se destacando. O CAGR (Taxa de Crescimento Anual Composta) de produção entre 2026 e 2029 é de 19% — bem acima dos 11% dos pares juniores e dos 2% das intermediárias. O CAGR de Ebitda de 27% no mesmo período também supera com folga os 7% das juniores.
“Embora a Aura ainda se destaque operacionalmente, essa força parece estar amplamente refletida na valuation atual“, avaliam os analistas.
O Safra elevou o NAV da companhia de US$ 7,5 bilhões para US$ 8 bilhões, impulsionado pelos projetos Era Dorada e Almas. Entretanto, ajustes corporativos pioraram de -US$ 555 milhões para -US$ 833 milhões, principalmente por maior dívida líquida estimada ao fim de 2026.
“Acreditamos que um valuation menos atraente em relação aos pares pode impedir fluxos marginais caso os preços do ouro continuem subindo”, concluem Monegaglia e Isidoro.






