As ações do Assaí (ASAI3) recuavam 0,94% na manhã desta sexta-feira (7), negociadas a R$ 8,41 às 10h10, após a divulgação do balanço do segundo trimestre de 2026.
A queda ocorreu em meio a uma leitura mista dos resultados. XP, Safra e Bradesco BBI consideraram que os números operacionais ficaram próximos das projeções, mas destacaram a fraqueza das vendas e a contribuição relevante dos créditos tributários para o lucro e a geração de caixa.
O Assaí registrou lucro líquido pós-IFRS 16 de R$ 484 milhões, crescimento anual de 121%. A receita líquida avançou 0,9%, para R$ 19,18 bilhões.
Na métrica pós-IFRS 16, o Ebitda ajustado aumentou 30,9%, para R$ 1,88 bilhão. Ao excluir os créditos tributários e os efeitos dos contratos de arrendamento, entretanto, o Ebitda comparável somou R$ 1,07 bilhão, queda anual de 0,7%, com margem de 5,6%.
Vendas fracas limitam reação ao balanço
As vendas nas mesmas lojas recuaram 0,5% quando considerados os efeitos de calendário e da Copa do Mundo. Sem essas distorções, o indicador avançou 0,9%, ainda abaixo da inflação de alimentos de 3% observada no período.
O fluxo de clientes cresceu 3,4% e superou 40 milhões de consumidores por mês. O aumento da frequência, porém, foi acompanhado pela redução do valor médio das compras, diante da pressão exercida pelo endividamento das famílias sobre os consumidores de menor renda.
Para o Safra, a melhora da margem bruta foi compensada pelo crescimento das despesas em um ambiente de vendas fracas. As despesas com vendas, gerais e administrativas aumentaram 5,1%, pressionadas pelo maior fluxo de clientes e pelos investimentos iniciais no Assaí Farma, nas marcas próprias e nos serviços financeiros.
“Embora a melhora contínua da estrutura de capital reduza as preocupações com o balanço, acreditamos que uma recuperação mais significativa das vendas ainda é necessária para destravar a alavancagem operacional”, afirmam Vitor Pini, Tales Granello e Renan Sartorio, do Safra.
O banco manteve recomendação neutra para ASAI3 e preço-alvo de R$ 10. O valor representa potencial de valorização de aproximadamente 18% frente aos R$ 8,49 utilizados como referência no relatório.
Créditos tributários sustentam lucro e caixa
A principal ressalva dos analistas está relacionada aos créditos tributários de PIS e Cofins. A XP destacou R$ 293 milhões em monetização extemporânea de créditos ligados às operações com bebidas frias.
Nas contas do Bradesco BBI, o efeito tributário total acrescentou R$ 403 milhões ao Ebitda e R$ 193 milhões à geração de caixa. Sem essa contribuição, o banco estima que o Assaí teria consumido R$ 255 milhões em caixa no trimestre, apesar de os investimentos terem atingido níveis historicamente baixos.
Os diferentes critérios de ajuste também produziram leituras distintas para o lucro. Enquanto o resultado contábil pós-IFRS 16 atingiu R$ 484 milhões, o BBI calculou lucro líquido ajustado de R$ 225 milhões. A XP chegou a R$ 307 milhões na visão pré-IFRS 16 e sem os créditos tributários.
“O trimestre confirmou as tendências de pressão no consumo, mas com resultados financeiros dentro do esperado e com a monetização de créditos tributários servindo como um importante colchão de proteção”, afirmam Pedro Pinto e Flávia Meireles, do Bradesco BBI.
A XP também observou que a atualização monetária dos créditos, um efeito sem impacto imediato no caixa, fez o lucro superar em 128% a projeção da casa. Apesar dessa ressalva, a corretora manteve recomendação de compra para ASAI3.
“Vemos com bons olhos os esforços da companhia para manter as despesas com vendas, gerais e administrativas sob controle em um ambiente desafiador para a receita”, afirmam Danniela Eiger, Pedro Caravina e Laryssa Sumer, da XP.
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Desalavancagem funciona como contraponto
A redução da dívida apareceu como o principal aspecto positivo do balanço. A relação entre dívida líquida e Ebitda caiu para 2,37 vezes, diante de 2,52 vezes no primeiro trimestre e 3,17 vezes um ano antes.
O resultado financeiro líquido negativo também diminuiu 25,5%, para R$ 421 milhões, beneficiado pela redução da dívida, pelo menor custo de antecipação de recebíveis e pela atualização monetária dos créditos tributários.
Para o Safra, a desalavancagem reduz os riscos associados à estrutura de capital, mas ainda não substitui a necessidade de recuperação das vendas. A XP apresenta uma visão mais favorável, sustentada pela disciplina de despesas e pelo foco da administração na geração de caixa.
O Bradesco BBI, por sua vez, considera que a tese permanece sensível ao ambiente econômico. A casa aguarda sinais de normalização da inflação de alimentos e dos juros a partir do segundo semestre para enxergar uma recuperação mais consistente dos fundamentos do Assaí.







