O Bank of America mantém recomendação neutra para as ações da Ambev (ABEV3), com preço-alvo de R$ 16 — potencial de desvalorização de aproximadamente 2% frente ao nível atual.
O banco avalia que o papel tem bom momento de curto prazo, mas carrega riscos fiscais para 2027 ainda não refletidos nos preços.
O risco central vem da Reforma Tributária aprovada em 2023, que começa a ser implementada em 2027 com a introdução de um sistema de IVA dual e um Imposto Seletivo (IS) sobre bebidas alcoólicas.
IVA pode elevar preços líquidos, mas IS pode zerar o benefício
A substituição do ICMS pelo IVA não cumulativo é potencialmente positiva para o setor. O BofA estima que os preços líquidos da Ambev possam subir cerca de 5% inicialmente e até 10% ao final da transição, em 2033.
No entanto, qualquer alíquota do Imposto Seletivo acima de 7% eliminaria totalmente esse benefício. No México e no Chile, impostos seletivos sobre bebidas chegaram a alíquotas efetivas entre 10% e 18% do preço líquido — referência que preocupa o banco.
Cada variação de 5 pontos percentuais na alíquota do IS impacta em 4,2% o EBITDA da divisão Cerveja Brasil em 2027 e em 2% o valor justo do equity da Ambev.
Repasse ao consumidor é o maior desafio
Em um cenário com IS de 15%, passagem parcial de custos (50%) e elasticidade de 0,5, o EBITDA da divisão brasileira de cervejas cairia 17% em 2027, com queda de 8,6% para a Ambev consolidada.
O histórico recente preocupa: a indústria caiu 4% em volume em 2025 com preços reajustados em linha com a inflação. Um repasse adicional forçado pela reforma fiscal pode comprimir ainda mais a demanda.
A ação negocia a 17,1 vezes o lucro estimado para 2027, em linha com a AB InBev — ante um desconto histórico de 23% — o que limita o upside enquanto os riscos tributários permanecem sem definição.
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