A Ambev (ABEV3) divulga seus resultados do segundo trimestre no dia 30 de julho, e o BTG Pactual chega na prévia com uma mensagem pouco convencional: os volumes de cerveja no Brasil podem não contar toda a história. O banco recentemente elevou a recomendação para compra e mantém a tese de longo prazo, mas alerta que o consenso pode estar otimista demais para o trimestre.
“Apesar de um mercado de cerveja difícil em termos de volumes, a Ambev conseguiu uma sequência forte de resultados acima do esperado, impulsionada por ganhos de mix, precificação e controle de despesas“, disseram os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, do BTG Pactual.
O banco projeta Ebitda consolidado de R$ 6,3 bilhões, com margem de 30,8% e lucro líquido de R$ 3,0 bilhões, alta de 10% no ano.
Os principais pontos da análise do BTG são:
1. Volumes de cerveja Brasil: 6,7% de crescimento
Dados da Nielsen mostram queda de 2,6% em abril e 1% em maio no sell-out de cerveja. A Copa do Mundo deve ter impulsionado junho em cerca de 10% no comparativo anual, resultando em crescimento de indústria de aproximadamente 2% no trimestre.
“Estimamos que a Ambev ganhou entre 200 e 300 pontos-base de participação de mercado em relação ao ano passado”, apontaram Duarte e Guttilla.
Para uma empresa com 60% do mercado, isso se traduz em 4% a 5% de volume adicional, resultando em estimativa de 6,7%, que pode ficar abaixo do que o mercado espera.
2. Receita por hectolitro: alta sequencial surpreendente
“Estimamos que a receita por hectolitro em cerveja Brasil aumentará 0,4% sequencialmente, um feito notável após uma base de precificação forte no primeiro trimestre”, disseram os analistas.
Na comparação anual, a alta seria de 5,1%. O BTG acredita que a Ambev continuou ganhando participação no segmento premium, com riscos assimétricos para cima nesse indicador.
3. Custos: alívio em relação ao primeiro trimestre
O COGS por unidade deve subir 6,2% no ano, desaceleração em relação ao aumento de 14,6% do primeiro trimestre. A Ambev faz hedge de custos com 10 a 14 meses de antecedência, e a pressão concentrada no primeiro semestre reflete a alta de commodities e a depreciação do real em 2025. O segundo semestre deve trazer alívio progressivo nessa frente.
4. SG&A: o principal risco de decepção
“Esperamos que o SG&A (despesas de vendas, gerais e administrativas) piore após alguns trimestres de tendências positivas, com o SG&A em caixa aumentando 50 pontos-base como percentual de receitas”, alertaram Duarte e Guttilla.
Volumes maiores retomam o pagamento de bônus que foram cortados em 2025, e a Copa do Mundo exigiu maior esforço de marketing. Este é o ponto onde o BTG vê maior risco de o consenso estar errado.
5. Operações internacionais: volumes em queda
CAC deve recuar 4% no ano pela desconsolidação de Cuba, com Ebitda de R$ 1,1 bilhão. LAS cai 3,9% por impactos em greves na Bolívia, com Ebitda de R$ 600 milhões.
Canadá recua 3% com Ebitda de R$ 828 milhões, queda de 11,8%. NAB cai 1,8%, mas Ebitda sobe 2,5% para R$ 551 milhões. Nenhuma divisão deve animar o mercado fora do Brasil.
6. Tese de longo prazo intacta a 15 vezes P/L
“Pela primeira vez em mais de uma década, fatores específicos da empresa parecem estar se voltando a seu favor”, concluíram os analistas.
A Ambev recuperou protagonismo na precificação em 2025 e início de 2026, e o BTG acredita que continuará capturando participação de receita no mercado brasileiro de cerveja.
A expansão do ROIC historicamente sustentou performance positiva e múltiplos premium para o papel.






