O Bank of America rebaixou sua recomendação para ações brasileiras de overweight (alocação acima da média) para marketweight (alocação em linha com a média), citando um ambiente mais desafiador para juros e expectativas mais fracas de lucros, mostra um relatório enviado a clientes.
A decisão vem após um período de perda de fôlego dos mercados latino-americanos, com o banco destacando que fatores externos e internos têm reduzido o suporte às bolsas da região. Desde meados de abril, os ativos vêm sendo pressionados por expectativas mais duras para a política monetária dos Estados Unidos e valorização do dólar.
Nesse contexto, o Brasil perde um de seus principais catalisadores recentes: a perspectiva de cortes de juros mais intensos. O Bank of America agora projeta a Selic em 14,25% ao fim de 2026, com espaço limitado para novas reduções.
Rebaixamento do Brasil
O banco aponta que a mudança de recomendação reflete um quadro mais restritivo para a economia e para os resultados das empresas.
“Estamos reduzindo o Brasil para marketweight em função de um cenário mais desafiador para juros e expectativas de lucros mais fracas”, afirma o relatório.
Além disso, a instituição destaca que os riscos inflacionários seguem elevados, em parte pressionados pela depreciação cambial, enquanto a volatilidade tende a aumentar com a aproximação do ciclo eleitoral.
Apesar da revisão, o Bank of America ressalta que ainda vê oportunidades pontuais no mercado brasileiro, especialmente em empresas mais resilientes ao ambiente de juros elevados, como bancos selecionados e companhias com menor risco de resultados.
Cenário externo pressiona
A casa também chama atenção para a mudança no ambiente global, que tem reduzido o apetite por risco na América Latina. O fortalecimento do dólar e o foco do mercado em temas globais, como inteligência artificial, têm tirado espaço de narrativas domésticas.
“A combinação de juros mais altos por mais tempo e menor momentum de crescimento tem pressionado o desempenho da região”, indica o relatório.
Nesse ambiente, o banco optou por reduzir a exposição ao Brasil e aumentar posições em outros mercados latino-americanos, como Chile e Colômbia, onde vê melhor relação entre risco e retorno no momento.
Realocação na América Latina
Como parte da estratégia, o Bank of America ampliou exposição à região andina, com inclusão de nomes específicos no portfólio. Ao mesmo tempo, manteve postura mais cautelosa em relação ao México, diante de crescimento mais fraco e riscos políticos.
A avaliação final é de que, embora o Brasil ainda ofereça oportunidades, o cenário atual exige maior seletividade e prudência. Com menos vetores domésticos positivos no curto prazo, o país passa a ocupar uma posição neutra nas carteiras globais.
Veja o portfólio recomendado no Brasil

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