A Viveo (VVEO3) anunciou na sexta-feira um aumento de capital de até R$ 870 milhões por meio da subscrição privada de até 967 milhões de novas ações, com diluição de 75% e preço de R$ 0,90 por ação — 27% abaixo do último fechamento. Os papeis reagem em queda de 9% nesta segunda-feira (29).
O Bradesco BBI avalia a operação como mista a negativa, e reduziu o preço-alvo do papel para R$ 0,90, reiterando recomendação neutra.
“A operação apresenta diluição significativa de 75%, com desconto de 30% em relação ao mercado, enquanto a alavancagem após o aumento de capital deve permanecer alta, em 4,3 vezes dívida líquida/EBITDA no primeiro trimestre de 2026”, avaliaram os analistas Marcio Osako e Larissa Monte, do Bradesco BBI.
A controladora DNA Capital, com 37,5% de participação, comprometeu-se a subscrever no mínimo R$ 427 milhões — 49% do total — por meio da capitalização de conversão de debênture.
Debêntures adquiridas com desconto elevado
O mecanismo de conversão de debênture pela DNA Capital levanta um ponto de atenção. As debêntures podem ter sido adquiridas com desconto significativo em relação ao par — atualmente entre 40% e 50% —, o que beneficia a controladora na operação.
Em 2025, a própria Viveo recomprou debêntures com valor nominal de R$ 250 milhões com desconto de 42%, dando uma dimensão do nível de deságio praticado no mercado.
“A controladora DNA Capital comprometeu-se a subscrever no mínimo R$ 427 milhões por meio da capitalização de conversão de debênture, que podem ter sido adquiridos com desconto significativo em relação ao par”, destacaram Osako e Monte.
Entretanto, o aumento de capital poderá ser subscrito tanto em dinheiro quanto via conversão de debênture, dependendo do perfil de cada subscritor.
Alavancagem segue elevada e Selic pesa
O BBI atualizou seu modelo para incorporar os resultados do primeiro trimestre de 2026, assumindo a adoção total do aumento de capital e uma taxa Selic mais alta — média de 12,8% em 2027, ante 10,8% anteriormente.
“Reduzimos nosso preço-alvo para 2026 para R$ 0,90, de R$ 1,10, e reiteramos nossa recomendação neutra, baseada no valuation e no fraco momentum dos lucros”, afirmaram os analistas Marcio Osako e Larissa Monte.
Mesmo com o aumento de capital, a alavancagem deve permanecer elevada, em 4,3 vezes dívida líquida sobre EBITDA — nível que limita a flexibilidade financeira da companhia.
“O preço-alvo de R$ 0,90 implica upside de 17% e múltiplo de 20 vezes o lucro estimado para 2027, mas o fraco momentum dos lucros e a Selic mais alta por mais tempo reduzem a convicção em uma reprecificação relevante no curto prazo”, concluíram os analistas do Bradesco BBI.






