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Ação da Cyrela tem ponto de entrada atrativo, diz Santander

Ação da Cyrela tem ponto de entrada atrativo, diz Santander

O Santander manteve a recomendação de compra para os papéis da incorporadora, apesar de reduzir o preço-alvo

As ações da Cyrela (CYRE3) continuam oferecendo uma oportunidade atrativa para investidores, mesmo após a revisão para baixo das projeções financeiras da companhia. A avaliação é do Santander, que manteve a recomendação de compra para os papéis da incorporadora, apesar de reduzir o preço-alvo para o fim de 2026 de R$ 43 para R$ 41.

Segundo relatório divulgado pelo banco, a revisão reflete principalmente os resultados do quarto trimestre de 2025 e do primeiro trimestre de 2026, que vieram abaixo das expectativas, além da incorporação de um cenário macroeconômico mais desafiador nas projeções.

Ainda assim, os analistas destacam que o valuation da companhia permanece atrativo. Atualmente, a ação negocia a um múltiplo preço sobre lucro (P/L) projetado para os próximos 12 meses de 4,5 vezes, abaixo da média histórica de cinco anos, de 6,5 vezes.

Para o Santander, o mercado parece não estar precificando adequadamente alguns fatores que podem impulsionar a rentabilidade da empresa nos próximos anos, especialmente o crescimento da participação da marca Vivaz no mix de vendas.

Revisão das projeções

O banco manteve sua estimativa de lançamentos da Cyrela para 2026 em R$ 12 bilhões, mas elevou a projeção para 2027 para R$ 12,5 bilhões. A mudança foi motivada por uma expectativa mais positiva para a Vivaz, braço da companhia voltado ao segmento de habitação econômica.

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A previsão para os lançamentos da Vivaz em 2027 passou de R$ 5,5 bilhões para R$ 6 bilhões.

Por outro lado, o Santander reduziu suas estimativas de pré-vendas em 6% para 2026 e em cerca de 3% para 2027, refletindo um ambiente mais desafiador para os empreendimentos de média e alta renda.

Com isso, as projeções de receita líquida para os dois anos sofreram uma redução média de 2%, movimento parcialmente compensado pela expectativa de maior participação das vendas de estoque pronto.

O banco também revisou para baixo as margens brutas da companhia. A estimativa para 2026 passou para 32,9%, enquanto a projeção para 2027 foi reduzida para 33,6%, refletindo uma visão mais conservadora para os custos de construção.

Como consequência, o Santander agora projeta lucro líquido de R$ 1,9 bilhão em 2026 e de R$ 2,4 bilhões em 2027. Os valores representam reduções de 13% e 5%, respectivamente, em relação às estimativas anteriores.

Além dos fatores operacionais da própria Cyrela, os analistas também consideraram resultados mais fracos da Plano&Plano, empresa na qual a incorporadora possui participação.

Vivaz ganha importância na estratégia

Apesar dos ajustes nas projeções, o Santander vê a Vivaz como um importante vetor de crescimento para a Cyrela.

Em 2025, a marca respondeu por 29% dos lançamentos totais da companhia, mas representou apenas 19% das receitas consolidadas. A expectativa é que esse peso aumente significativamente nos próximos anos.

Segundo o banco, a aceleração do número de unidades em construção e o crescimento da participação da Vivaz nos lançamentos deverão elevar sua contribuição para cerca de 35% das receitas da Cyrela em 2027.

A projeção é que a participação da marca alcance aproximadamente 47% do mix de lançamentos da incorporadora nesse período.

Na avaliação dos analistas, essa mudança de composição pode trazer ganhos relevantes de rentabilidade, contribuindo para aumentos da margem bruta de cerca de 70 pontos-base em 2027 e de 91 pontos-base em 2028.

Dessa forma, apesar da revisão das estimativas e do cenário ainda desafiador para o setor imobiliário, o Santander avalia que a ação da Cyrela continua oferecendo uma relação atrativa entre risco e retorno, sustentando a recomendação de compra para os papéis da companhia.

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