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A Copa do Mundo já acabou para a Ambev

A Copa do Mundo já acabou para a Ambev

Banco avalia que o mercado já precifica a recuperação de volumes com a Copa do Mundo de 2026, mas subestima os riscos de margem

O banco Safra rebaixou a Ambev (ABEV3) de neutro para underperform (venda) — e o argumento central é direto: o mercado já precificou a Copa do Mundo de 2026, mas ignora os riscos de margem que vêm pela frente.

As ações da Ambev têm alta de 8% em 2026. O resultado do 1º trimestre será conhecido no dia 5 de maio, antes da abertura dos mercados.

O mercado já está precificando a recuperação de cerveja Brasil em 2026 impulsionada pela Copa do Mundo e pelas bases de comparação fáceis”, afirmam os analistas Ricardo Boiati, Rafael Une e Thiago Marmo.

O preço-alvo foi elevado de R$ 14 para R$ 16 por ação, refletindo melhora nas projeções de margem e o avanço do horizonte de valuation.

Valuation esticado frente aos pares

A Ambev negocia a 15,7 vezes o lucro estimado para 2026 — prêmio de 14% em relação aos pares globais.

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“Com o P/L 2026 implicando um prêmio de 14% frente aos pares globais, acreditamos que a relação risco-retorno está inclinada para o lado negativo”, destacam os analistas.

O Safra avalia que o valuation atual incorpora a recuperação de volumes, mas não reflete adequadamente os riscos de compressão de margens, uma possível decepção com as expectativas da Copa, piora no ambiente competitivo e o risco de mais um ano com condições climáticas desfavoráveis.

Ambev
(Imagem: Gustavo Kahil/ EQI)

SG&A pressiona margens em 2026

O principal vetor de pressão identificado pelo Safra é o aumento das despesas com vendas, gerais e administrativas.

“Esperamos que as despesas com SG&A como percentual das vendas se deteriorem 176 pontos-base na comparação anual, impulsionadas por maiores gastos com marketing ligados à Copa do Mundo e pelos pagamentos de bônus”, explicam Boiati, Une e Marmo.

Os bônus haviam sido cortados em 2025 diante do fraco desempenho de volumes — e devem retornar em 2026, pressionando adicionalmente o resultado.

No lado dos custos, o Safra projeta CMV (Custo das Mercadorias Vendidas) por hectolitro em alta de 4,8% na comparação anual em cerveja Brasil — patamar próximo ao piso do guidance —, insuficiente para compensar o avanço do SG&A.

Primeiro trimestre ainda fraco

Para o primeiro trimestre de 2026, o banco projeta resultados fracos.

“Esperamos que o Ebitda ajustado consolidado recue 3%, com pressões de custo em cerveja Brasil como principal vetor negativo”, apontam os analistas.

A demanda segue pressionada pela renda disponível comprimida, condições climáticas desfavoráveis e competição intensa — embora as marcas premium sigam com bom desempenho.

“A indústria brasileira de cerveja tem se movido lateralmente desde 2020, em função de um ambiente competitivo desafiador, enquanto a Heineken vem fortalecendo sua posição”, concluem Boiati, Une e Marmo — reforçando que o rebaixamento reflete um cenário estruturalmente mais complexo do que o mercado parece estar precificando.