O Bank of America visitou investidores locais em São Paulo e Rio de Janeiro na semana passada para discutir o cenário global, emergentes e Brasil. O humor está cauteloso, mas com alguns sinais de melhora na margem para os ativos brasileiros, segundo os analistas David Beker, Paula Andrea Soto e Antonio Gabriel.
1. O Fed é o centro de tudo
Todos os investidores concordam num ponto: o Federal Reserve, o risco de altas de juros e o dólar serão os principais fatores para emergentes neste ano.
“Há falta de convicção em relação a Warsh, mas a maioria dos investidores que encontramos acredita que o Fed dificilmente subirá juros este ano ou pode adiar o máximo possível”, disseram Beker, Soto e Gabriel.
Muitos acreditam que Warsh orquestrou uma surpresa hawkish apenas para ancorar os juros longos, sem intenção de entregar altas efetivas. Enquanto não houver clareza, a maioria está na linha de toque.
2. Otimismo de curto prazo com os juros locais
A queda do petróleo, leituras de inflação melhores do que o esperado e dados de mercado de trabalho mais fracos aumentaram o otimismo com novos cortes no Brasil. O mercado agora precifica dois terços de chance de mais um corte de 25 pontos-base em agosto.
A mudança do horizonte relevante do Banco Central para 2028 é outro fator que os investidores locais veem como suporte para pelo menos mais um ajuste.
3. Poucos gatilhos para a bolsa
“Enquanto novos cortes de juros poderiam ajudar o mercado acionário no curto prazo, os juros devem permanecer elevados, adicionando riscos de queda para os lucros no próximo ano”, avaliaram os analistas.
As revisões para baixo no PIB de 2027 pressionam adicionalmente os lucros projetados. A correção recente melhorou o ponto de entrada, mas os múltiplos não estão particularmente baratos.
O fluxo global para ações de inteligência artificial nos EUA limita o apetite por papéis brasileiros, e os fundos locais de ações e multimercado continuam registrando saídas semanais.
4. Inflação melhorou na margem
O recuo do petróleo e os dados de inflação mais benignos reabriram a discussão sobre o ciclo de cortes. Algumas semanas atrás, o mercado precificava o fim do afrouxamento monetário. Hoje, a leitura é diferente.
“O declínio contínuo nos preços do petróleo, combinado com leituras de inflação melhores do que o esperado e dados de mercado de trabalho mais fracos, aumentaram o otimismo para potenciais cortes adicionais no Brasil à frente”, apontaram Beker, Soto e Gabriel.
5. Eleições adicionam volatilidade, mas não mudam posições
As pesquisas eleitorais já estão gerando volatilidade nos ativos brasileiros. Mesmo assim, os investidores não estão dispostos a montar posições estruturais por enquanto.
“Os locais não estão dispostos a adicionar posições estruturais neste momento, dado que há muita incerteza no cenário internacional e que esperam eleições muito disputadas no Brasil”, concluíram os analistas do Bank of America.
Leia também:






