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Varejo e frente fria: inverno prolongado pode impulsionar vendas

Varejo e frente fria: inverno prolongado pode impulsionar vendas

O movimento também pode beneficiar redes de farmácias, com aumento da demanda por medicamentos isentos de prescrição (OTC)

O cenário de temperaturas mais baixas nas regiões Sul e Sudeste pode se tornar um importante aliado para o desempenho do varejo brasileiro neste inverno. O inverno mais rigoroso e persistente deve favorecer as vendas de roupas de inverno, reduzir a necessidade de grandes liquidações e contribuir para a preservação das margens das empresas do setor. O movimento também pode beneficiar redes de farmácias, com aumento da demanda por medicamentos isentos de prescrição (OTC), especialmente para gripes e resfriados.

Relatório da XP destaca que o tema varejo e frente fria ganha relevância porque as principais varejistas de vestuário concentram boa parte de suas operações justamente nas regiões mais afetadas pelas baixas temperaturas. C&A (CEAB3), Renner (LREN3) e Riachuelo (RIAA3) possuem mais de 50% de suas lojas no Sudeste, enquanto o estado de São Paulo, sozinho, representa mais de 30% da base de lojas dessas companhias.

De acordo com o levantamento da casa de análise, junho voltou a registrar temperaturas baixas no Sul e Sudeste. O indicador proprietário da XP mostra que a temperatura média ficou cerca de 0,2°C abaixo da registrada em junho de 2025, que, por sua vez, já havia sido aproximadamente 2,4°C mais frio do que o mesmo período de 2024. Enquanto isso, Norte e Nordeste permaneceram praticamente estáveis, com médias entre 25°C e 27°C.

Frio intenso em São Paulo e no Sul

O relatório lembra que o frio foi intenso em diversas cidades. Em São Paulo, por exemplo, o dia 25 de junho registrou a menor temperatura máxima para um mês de junho em três décadas, com 13,4°C. Já Curitiba teve mínima de -1,7°C, a menor desde 2010. As previsões meteorológicas ainda indicam novas massas de ar frio ao longo de julho, prolongando o ambiente favorável para o consumo de produtos de inverno.

Na avaliação da XP, esse contexto beneficia não apenas o volume de vendas, mas também a rentabilidade das varejistas. Peças de inverno costumam apresentar tíquete médio mais elevado e margens superiores, enquanto um clima frio mais duradouro acelera o giro dos estoques antes da troca de coleção. Com isso, as empresas tendem a depender menos de promoções agressivas para liquidar produtos, preservando a margem bruta.

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A corretora ressalta que promoções já fazem parte do calendário do setor nesta época do ano. A C&A aparece com campanhas oferecendo descontos de até 60%, enquanto a Renner promove liquidações de inverno com abatimentos que chegam a 70%. A Riachuelo também realiza remarcações de preços, embora com menor intensidade de divulgação. Ainda assim, a XP avalia que o frio prolongado reduz a necessidade de descontos mais profundos.

Além das empresas de moda, o relatório aponta impactos positivos para o setor farmacêutico. O aumento dos casos de doenças respiratórias costuma impulsionar a venda de medicamentos para gripe, resfriado e outros produtos OTC, com destaque para a Panvel, cuja operação possui maior exposição à região Sul.

Diante desse cenário, a XP mantém uma visão favorável para o segmento de vestuário no curto prazo. A instituição considera o inverno de 2026 um importante catalisador para empresas como Renner, C&A e Riachuelo, além de enxergar efeitos positivos secundários para as varejistas farmacêuticas, reforçando que a combinação entre varejo e frente fria pode contribuir para resultados operacionais mais sólidos nos próximos trimestres.

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