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Títulos de dívida privada viram opção para empresas em busca de capital

Títulos de dívida privada viram opção para empresas em busca de capital

Espaço restrito para oferta de ações e emissões de bônus no exterior obriga empresas a recorrer a financiamento por meio de títulos de renda fixa.

O espaço restrito para oferta de ações e emissões de bônus no exterior tem obrigado as empresas a recorrer a financiamento por meio de títulos de renda fixa no Brasil, especialmente de debêntures, para bancar projetos de expansão e capital de giro.

O volume de ofertas de debêntures já soma R$ 18 bilhões, bem acima dos R$ 8 bilhões ofertados no ano passado. Estima-se que, do total levado a mercado, R$ 10,9 bilhões foram efetivamente distribuídos, e o restante absorvido pelas instituições financeiras que vendem os papéis ao mercado.

De acordo com reportagem do jornal Valor Econômico, outros R$ 32 bilhões em operações estão no “pipeline” dos bancos e podem ir ao mercado ao longo do mês de abril. Vivian Lee, sócia da Ibiúna Investimentos, disse ao jornal que essa dinâmica se justifica por causa da migração do investidor local do mercado de ações para a renda fixa. Ela diz que, embora esse fluxo não tenha a mesma magnitude do que se viu entre julho e outubro do ano passado, continua forte.

Sem ofertas públicas

O espaço para as ofertas de ações está restrito. Nenhuma oferta pública primária (IPO, na sigla em inglês) foi realizada até o momento. Esse cenário reforça que o ano será mais aquecido para ofertas subsequentes de ações (os “follow-ons”). No acumulado do ano até a semana passada, foram realizadas sete operações, movimentando cerca de R$ 11 bilhões, afirma Gustavo Miranda, responsável pela área de banco de investimentos do Santander.

No primeiro trimestre do ano passado, foram realizados 15 IPOs e sete follow-ons, somando cerca de R$ 32 bilhões. Alpargatas, Arezzo, BRF e Equatorial realizaram as quatro maiores transações até aqui, e a CBA, do grupo Votorantim, e a Fras-le, de autopeças, engrossarão a fila, com a captação de R$ 750 milhões cada uma.

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Privatização na mira

O mercado aguarda para maio a oferta subsequente da Eletrobras, que pode levantar cerca de R$ 30 bilhões. A expectativa do mercado é que as ofertas de ações se concentrem até julho, voltando após as eleições.

Para especialistas, o cenário macroeconômico, com elevação das taxas de juros na tentativa de combater a alta da inflação, acaba deixando o mercado de ações em segundo plano e estimulando a emissão de títulos de renda fixa no mercado local.

Segundo dados do Itaú BBA, o patrimônio do total de fundos que investem em ativos de crédito soma hoje R$ 871 bilhões, mais do que o volume observado em setembro de 2019, período de forte euforia desse segmento. Na ocasião, o total de recursos captados pelos fundos era de R$ 784 bilhões, e foi reduzido para R$ 579 bilhões em julho de 2020, após uma onda de saques provocada, entre outras razões, pela migração do investidores ao mercado de renda variável.

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