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Dólar: alta deve seguir em dezembro, com aceleração do tapering e eleições se aproximando

Dólar: alta deve seguir em dezembro, com aceleração do tapering e eleições se aproximando

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

08 Dez 2021 às 21:00 · Última atualização: 24 Ago 2022 · 8 min leitura

Redação EuQueroInvestir

08 Dez 2021 às 21:00 · 8 min leitura
Última atualização: 24 Ago 2022

dólar

Reprodução/Pixabay

Com a provável aceleração do tapering nos Estados Unidos, reduzindo a liquidez dos mercados, desaceleração na China e cenário eleitoral conturbado no Brasil no ano que vem, as projeções seguem altistas para o dólar no mês de dezembro.

O BTG Pactual (BPAC11) manteve em R$ 5,60 seu cenário-base para o câmbio em dezembro – o mesmo de novembro, após R$ 5,30 em outubro.

Em um cenário pessimista, segundo o banco, o câmbio atinge R$ 5,90. Já no otimista, R$ 5,40.

O Boletim Focus, que semanalmente capta as expectativas do mercado, vê o dólar cotado a R$ 5,56 até o fim do ano e em R$ 5,55 em 2022.

Dólar: o que explica o cenário altista?

Do lado externo, o Federal Reserve (Fed), banco central americano, já anunciou o tapering, retirada gradual de estímulos da economia. A injeção mensal de US$ 120 bilhões será reduzida em US$ 15 bilhões mês a mês. Mas o passo do tapering deve ser acelerado, devido à escalada da inflação. Para a próxima reunião do comitê do Fed, Fomc, já é esperado este anúncio.

O tapering provocará uma redução na liquidez dos mercados, que deverá ter como um dos efeitos a valorização do dólar.

Ômicron não preocupa, mas China dá sinais de desaceleração, diz BTG

Segundo o BTG, a queda recente na cotação do petróleo a partir do temor em relação à variante ômicron não deve impactar de maneira significativa o mercado de commodities, que deve seguir com preços em patamar elevado, o que é positivo para a pauta de exportações brasileira e, consequentemente, para o real.

No entanto, a desaceleração econômica da China é um ponto de atenção relevante para 2022.

Dólar: cenário no Brasil

Já no Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central já anunciou que antevê uma nova alta de 1,5 ponto porcentual da Selic, taxa básica de juros, nesta quarta-feira (8), quando acontece a última reunião do ano. Isso levará a Selic dos atuais 7,75% a 9,25%.

O BTG Pactual acredita que o ciclo de alta da Selic deva ser encerrado quando a taxa chegar a 11,75% – prevendo mais um avanço de 1,5 ponto porcentual na primeira reunião de 2022 e uma subida final de 1 ponto na segunda reunião do ano que vem, agendada para março.

A alta da Selic, por si só, deveria promover uma queda na cotação do dólar, uma vez que, com juros mais altos, a tendência é a atração de capital estrangeiro. No entanto, com Fed em vias de subir os juros nos EUA, fica mais difícil a competição para os países emergentes. Especialmente para o Brasil, onde a questão fiscal afasta o investidor.

Por aqui, a deterioração das expectativas fiscais segue preocupando. Mas a aprovação da PEC dos Precatórios trouxe certo alívio – isso porque, na interpretação do mercado, as mudanças da PEC são ruins, mas ainda assim melhores do que a possibilidade de estender o decreto de calamidade, com mais desordem fiscal.

A PEC dos Precatórios traz, em resumo, duas principais novidades: a primeira é a possibilidade de o governo adiar o pagamento de dívidas já julgadas na justiça; o segundo é a mudança no cálculo do reajuste pelo IPCA do teto de gastos.

O teto de gastos, pela regra atual, limita os gastos públicos no ano ao orçamento do ano anterior acrescido da inflação medida pelo IPCA em 12 meses (de julho do ano anterior a junho do ano de votação do orçamento). A nova proposta prevê reajuste pelo IPCA de janeiro a dezembro. Como a proposta de orçamento é entregue em agosto, o cálculo do teto passaria a se basear em estimativas – o que pode significar mais ou menos recursos, dependendo do ano em questão.

Para 2022, especificamente, tal mudança de conta abriria brecha no orçamento para o pagamento do novo benefício assistencial criado pelo governo, o Auxílio Brasil, que terá o valor mensal de R$ 400. Mas também para outros gastos, justamente em ano eleitoral.

Além da questão fiscal, na avaliação do banco, no ano que vem as eleições naturalmente tendem a tornar o cenário para investimentos no Brasil ainda mais incerto, o que pode reduzir o fluxo financeiro para o Brasil.

Vantagens de investir em dólar

No atual cenário, a recomendação é que o investidos se proteja investindo em dólar.

Além da valorização do câmbio, investindo em dólar, também se ganha com diversificação e proteção a choques – sejam os internacionais, como a pandemia, ou os muitos ruídos políticos do Brasil.

O fator proteção vem do fato de que os investidores de todo o mundo enxergam o dólar como um dos ativos mais seguros do mundo. Por isso, quando uma crise derruba todos os mercados, como no caso do coronavírus, o dólar tende a se valorizar.

Mas é preciso lembrar: os ativos atrelados ao dólar devem corresponder a uma pequena parcela da carteira de investimentos. Não é recomendado colocar “todos os ovos na mesma cesta”.

Para diversificar e se expor ao dólar, há as seguintes possibilidades de investimentos:

COE

O Certificado de Operações Estruturadas é uma versão brasileira das chamadas Notas Estruturadas, bastante populares nos Estados Unidos. É um tipo de aplicação que une a segurança da renda fixa com a rentabilidade da renda variável.

Ele é indicado para quem está começando a investir no exterior e ainda está receoso a respeito. E tem uma vantagem muito interessante: a maioria dos COE têm capital protegido. Isto quer dizer que o investidor recebe de volta todo o valor investido, mesmo que ocorra uma perda no investimento.

O COE pode estar atrelado a ações nacionais e estrangeiras, índices da bolsa brasileira e das bolsas americanas. E também a taxas de juros, commodities, e moedas. E a combinação destes ativos garante segurança, ao mesmo tempo em que busca mais lucratividade.

Fundos de investimento

Também indicado para os investidores menos experientes no mercado externo. Os fundos de investimento internacional trazem a vantagem de contar com gestores que acompanham e definem as melhores opções. Você pode optar por fundos de ações, mais agressivos, ou fundos multimercado, que são mais seguros por diversificar os investimentos.

ETFs

Também é possível investir, a partir do Brasil, em fundos de índice (ETFs) que replicam ativos internacionais.

BDRs

O Brazilian Depositary Receipt (BDR), ou certificado de depósito de valores mobiliários, permite investir diretamente em empresas norte-americanas.

Desde 22 outubro, os BDRs estão disponíveis na bolsa brasileira para todo investidor interessado. Até então, eles eram reservados apenas para investidores qualificados, ou seja, aqueles com mais de R$ 1 milhão em investimentos.

A vantagem é que, ao adquirir um BDR, o investidor passa a deter, indiretamente, papéis da companhia com sede em outro país. Sem que para isso tenha que realizar os trâmites de um investimento internacional.

Dólar Futuro

É importante destacar que esta forma de investimento é de alto risco e exige maior preparo do investidor.

O investidor pode assumir uma posição de compra ou de venda do contrato futuro da moeda. Quem assume a posição comprada do contrato, ganha com a alta do dólar e perde com a queda. Se a posição for de venda, o investidor ganha com a queda do dólar e perde com a alta.

Esta negociação ocorre na B3 e exige que o investidor tenha uma conta em uma corretora de valores para operar. Trata-se de um mercado muito volátil e de alta liquidez.

No mercado de dólar futuro pode-se operar de forma alavancada. Isso significa que com um montante pequeno de dinheiro é possível movimentar grandes quantias. Ou seja, é possível ganhar muito mais do que o valor investido, mas o tombo também pode ser grande.

 

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