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Bradesco entrega lucro em linha, mas guidance frustra expectativas

Bradesco entrega lucro em linha, mas guidance frustra expectativas

Na avaliação dos analistas, os principais pontos positivos do trimestre vieram do crescimento consistente da carteira de crédito

O Bradesco (BBDC4) encerrou o quarto trimestre de 2025 com lucro líquido ajustado de R$ 6,5 bilhões, alta de 21% em relação ao mesmo período do ano anterior e de 5% frente ao trimestre anterior, segundo relatório do BTG Pactual (BPAC11). Apesar do avanço, o desempenho ficou apenas em linha com o consenso de mercado e levemente abaixo das estimativas do banco, levantando dúvidas sobre o descompasso entre a recente valorização das ações e a evolução dos fundamentos.

Na avaliação dos analistas, os principais pontos positivos do trimestre vieram do crescimento consistente da carteira de crédito e das receitas com tarifas, além de um controle eficiente das despesas operacionais. Por outro lado, o aumento das provisões para perdas e um resultado mais fraco na área de seguros limitaram uma surpresa mais relevante nos números. O lucro também foi beneficiado por uma alíquota efetiva de imposto mais baixa, de 11%, o que ajudou a compensar um desempenho operacional ligeiramente inferior ao esperado.

Além dos resultados trimestrais, o Bradesco divulgou seu guidance para 2026, projetando lucro em torno de R$ 27,5 bilhões no ponto médio, crescimento de 12% na comparação anual. O número, no entanto, ficou cerca de 5% abaixo das projeções do BTG e do consenso de mercado, reforçando a percepção de que as expectativas estavam mais elevadas.

O banco projeta expansão da carteira de crédito entre 8,5% e 10,5% em 2026, crescimento moderado das receitas de tarifas e avanço controlado das despesas. A rentabilidade estimada, com ROE próximo de 15,5%, ainda fica distante dos níveis observados em alguns bancos médios, que vêm entregando retornos superiores a 30% em um ambiente operacional favorável para o setor financeiro no Brasil.

Bradesco: expectativa era de desempenho mais robusto

Segundo o BTG, havia uma expectativa de que o Bradesco pudesse apresentar um desempenho mais robusto, especialmente diante da forte recuperação do setor bancário e da alta acumulada de cerca de 70% das ações nos últimos 12 meses. Embora a administração destaque que o banco passa por um processo de transformação estrutural de longo prazo, com ganhos graduais de eficiência e rentabilidade, o relatório aponta que a avaliação de mercado pode ter avançado mais rápido do que os fundamentos no curto prazo.

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No crédito, o banco apresentou crescimento sólido no trimestre, impulsionado por cartões, pequenas e médias empresas e financiamento de veículos. A margem financeira permaneceu estável, enquanto as provisões mais elevadas indicam uma postura mais conservadora diante do cenário macroeconômico. Para os analistas, o conjunto de números reforça uma trajetória de melhora gradual, mas sem catalisadores imediatos capazes de justificar novas revisões positivas de expectativas no curto prazo.

A Ativa avaliou que o Bradesco entregou um resultado de qualidade satisfatória e em linha com o esperado. As receitas de serviços superaram nossas projeções, enquanto a vertical de seguros ficou levemente abaixo, sem alterar nossa leitura do trimestre. Já o guidance divulgado para 2026 foi considerado conservador para a casa de análise e deve dominar o price action no curto prazo.

“Apesar de já operar com RoE acima do custo de capital, sinalizando que o processo de recuperação está em bom curso, o indicador ainda permanece abaixo dos principais pares, o que mantém elevada a exigência do mercado por uma convergência mais rápida. Mantemos recomendação de Compra, sustentados pela expectativa de execução acima do guidance nos próximos trimestres e por um valuation ainda atrativo no setor”, completa a Ativa.