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Super Quarta à vista: quais as expectativas para os juros de Brasil e EUA?

Super Quarta à vista: quais as expectativas para os juros de Brasil e EUA?

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

03 Mai 2022 às 11:10 · Última atualização: 24 Jun 2022 · 6 min leitura

Redação EuQueroInvestir

03 Mai 2022 às 11:10 · 6 min leitura
Última atualização: 24 Jun 2022

foto de notas de 200 reais

Reprodução/Pixabay

A Super Quarta acontece quando as datas das reuniões dos comitês de política monetária do Brasil e dos Estados Unidos coincidem. É exatamente o que acontece na próxima semana, no dia 4 de maio. Por si só, este dia deixa o mercado bastante ansioso.

Como forma de explicar melhor os reflexos do movimento da taxa de juros nas aplicações financeiras, este artigo aborda o tema em mais detalhes.

Siga na leitura e aproveite o conhecimento!

Super Quarta: o que esperar do Copom?

No Brasil, começa na terça-feira (3) a reunião do Comitê de Política Econômica, o Copom. É ele quem irá definir para onde irá a taxa Selic pelos próximos 45 dias.

É praticamente um consenso no mercado que o comitê decida por um aumento de 1 ponto percentual na taxa. Isso porque a inflação medida pelo IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Amplo – vem em um viés de crescimento. Então, para desestimular o consumo e segurar os preços, o Copom lança mão do aumento de juros.

Atualmente, a taxa básica de juros da economia brasileira (Selic) está em 11,75% ao ano, conforme estabelecido na última reunião. Caso se confirme uma elevação de 1 ponto, a taxa irá para 12,75% ao ano. Será a décima elevação sequencial.

Selic rumo à décima alta sequencial

 

gráfico com evolução da taxa Selic ao longo dos anos

A influência do IPCA na decisão dos juros

O IPCA tem um peso fundamental na decisão do Copom. Isto porque o índice é o utilizado pelo governo para as metas oficiais de inflação.

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 1,62% em março, depois de ficar em 1,01% em fevereiro. Esse foi o maior resultado para o mês de março desde 1994 (42,75%), antes da implantação do Plano Real.

Até mesmo o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, precisou admitir que a inflação surpreendeu. Até então, ele vinha afirmando que a provável alta de 1 ponto porcentual de 4 de maio encerraria o ciclo de alta da Selic. Agora, pode ser necessário rever posicionamentos.

Para o mercado, deve haver ainda mais uma subida em junho – só não se sabe ainda se de 0,25% ou de 0,5%. Para o BTG Pactual e para a EQI Investimentos, a Selic fecha o ciclo em 13,25%.

gráfico com projeção para Selic

Projeção para Selic. Reprodução/EQI Asset

De acordo com o último Boletim Focus, com as perspectivas das instituições financeiras, a Selic encerra o ano em 13,25%, sendo que, um mês atrás, a expectativa era de 13%.

Apesar do mercado projetar uma Selic mais alta em 2022, a expectativa para os anos de 2023 e 2024 continua a mesma, sendo 9% e 7,50%, respectivamente.

Boletim Focus

E o que esperar do Fomc?

Nos Estados Unidos, concomitantemente com a reunião do Copom brasileiro, estará reunido o seu homônimo norte-americano, que atende pela sigla de Fomc – Federal Open Market Committee, que traduzido para o português significa Comitê Federal de Mercado Aberto. Faz parte do Fed – Federal Reserve, o Banco Central daquele país.

E a tendência do Fed também é a de elevar os juros. O mercado aposta fortemente em 0,50 ponto porcentual como a segunda alta de juros – após 0,25% do último encontro, quando o Fed elevou os juros pela primeira vez desde 2018.

Em discurso recente, Jerome Powell, presidente do banco central dos EUA (Fed), verbalizou o que o mercado todo já projetava: a alta de 0,5 ponto porcentual está mesmo “na mesa” na reunião de 4 de maio. Powell disse ainda que controlar a inflação é essencial.

O discurso, considerado mais hawkish, aumenta as expectativas de uma trajetória de juros mais íngreme e mais acelerada do que era imaginado até então.

Para o BTG Pactual (BPAC11), o Fed deve promover quatro altas de 0,50 ponto, mais duas altas de 0,25 até dezembro (taxa de 2,75% a 3% até o final de 2022). Para 2023, o banco prevê mais quatro altas de 0,25, com taxa terminal de ciclo entre 3,75% e 4%.

Gráfico com projeção de alta de juros nos EUA

Projeção de juros nos EUA. Fonte: BTG

Tá, mas e aí, o que isso diz ao investidor?

Com a subida de juros nos EUA, começando agora e podendo durar por anos, haverá uma migração de capital para os títulos do tesouro de lá. Isso porque eles são considerados os ativos mais seguros do mundo. Logo, haverá menos liquidez em mercados emergentes de maior risco, como o Brasil.

Além disso, juros mais altos nos EUA forçam juros mais altos no Brasil. E isso impacta diretamente nos investimentos. Confira:

Renda fixa

As alterações da taxa Selic têm um impacto especialmente interessante sobre o mercado de renda fixa. A razão disso é que existem títulos pré e pós-fixado nesse segmento, e cada um se comporta de uma maneira.

Quando a curva de juros encontra-se em um ciclo de alta (como o que estamos vivenciando agora), os papéis pós-fixados apresentam melhores rendimentos.

Isso acontece porque eles são diretamente atrelados ao CDI, que é um reflexo da taxa Selic. Assim, quanto mais alta a taxa estiver, mais esses títulos renderão e estarão valorizados.

Já os papéis prefixados experimentam o sentimento contrário: com uma alta da Selic, seu valor no mercado secundário cai como forma de atender à taxa de juros acordada quando da contratação do título.

Caso o investidor precise liquidar seu papel, poderá ter surpresas desagradáveis ao descobrir que terá menos dinheiro do que a quantia que foi investida. É o que se chama de marcação a mercado.

No entanto, isso só vale para quem precisar se desfazer do título. Quem o segurar até o vencimento terá de volta a rentabilidade contratada.

Por fim, quando a Selic está em movimento descendente, o contrário ocorre: os papéis pós-fixados tornam-se ruins e os prefixados experimentam valorização no seu valor no mercado secundário.

Renda variável

O mercado de renda variável também sofre os efeitos da divulgação da taxa Selic pelo Copom, e nem poderia ser diferente.

Como a Selic define diretamente o rendimento dos papéis pós-fixados da renda fixa, o capital tende a buscar essas aplicações quando a Selic está mais alta.

A lógica por trás desse movimento é relativamente simples de entender e faz sentido: se é possível ter retornos próximos a 1% ao mês sem correr grandes riscos, porque então devo arriscar na renda variável?

E dessa forma ocorre uma migração do capital que estava aplicado em renda variável para a renda fixa, causando períodos de baixa daquele.

O contrário também pode-se afirmar: quando a Selic baixa muito, a renda fixa perde atratividade. Com isso, os investidores são forçados a buscar o risco em troca de maiores ganhos nas aplicações financeiras.

(Por Ronaldo Araújo, com edição de Mathues Gagliano e Cláudia Zucare Boscoli)

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