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Reserva de Emergência: Guia definitivo para você fazer a sua

Reserva de Emergência: Guia definitivo para você fazer a sua

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

22 Mar 2022 às 16:00 · Última atualização: 03 Ago 2022 · 15 min leitura

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22 Mar 2022 às 16:00 · 15 min leitura
Última atualização: 03 Ago 2022

Cofre de porquinho dourado: cuidado com a reserva de emergência

Reprodução/Pixabay

Quando o assunto é segurança financeira, todos os especialistas concordam: é preciso começar pela reserva de emergência

Este montante, que deve ser destinado para o caso de alguma situação imprevista, funciona como um “amortecedor de queda”.  

A reserva de emergência é uma boa estratégia para quem quer começar a formar patrimônio e investir de maneira segura. 

Mas, acima de tudo, ela é fundamental para todas as pessoas que não querem perder o controle do orçamento inesperadamente. 

Quais são as regras para começar a formar a sua reserva de emergência?

Acompanhe agora tudo o que você precisa saber para começar hoje mesmo a sua!

Reserva de emergência: o que é?

A reserva emergencial é o nome dado ao dinheiro que se deve guardar para cobrir todas as despesas fixas em caso de possíveis imprevistos. 

Ela atua como uma espécie de fundo de emergência, que tem o objetivo de oferecer tranquilidade ou o chamado “fôlego financeiro” em momentos críticos como: demissões, problemas de saúde, caso de morte de arrimos de família, entre outras situações inesperadas – vide pandemia. 

Para os especialistas em finanças, estar preparado para esses casos é fundamental, pois as situações adversas irão acontecer, é fato. Nós apenas não sabemos quando.

Quem deve fazer a reserva de emergência?

O conceito da reserva de emergência não se encaixa apenas para os investidores, que desejam acumular patrimônio, mas para todas as pessoas. 

A reserva de emergência não é um luxo, mas sim uma necessidade para todos. Quanto menos dinheiro se tem, maior deveria ser o foco em montá-la. Afinal, quem é rico, não precisa se preocupar. Já quem não é, deveria estar mais preocupado em crescer financeiramente. 

Sem a reserva, você sempre precisará ‘cortar na própria carne’ quando precisar de dinheiro. Por exemplo, se tiver uma infiltração em casa, você possivelmente precisará fazer um empréstimo ou entrar no cheque especial, pagando, assim, juros altíssimos para o banco.  

A regra é simples: sem reserva de emergência, não há segurança para ter sucesso com os investimentos! 

Como funciona a reserva de emergência e como usá-la?

A reserva de emergência é um capital que deve ficar investido. Contudo, ele deve ser alocado em uma aplicação que permita o resgate imediato.

Afinal, a finalidade deste dinheiro é que ele seja usado justamente para cobrir gastos eventuais e inesperados.

E como não é possível saber quando se pode precisar desse recurso, o melhor é que esse montante seja investido em produtos com alta segurança e liquidez.

A melhor hora para usar a reserva de emergência é quando acontecem situações em que sejam necessários realizar gastos imprevistos, que poderiam levar uma pessoa a contrair uma dívida com juros elevados.

Ou, para evitar que um investidor seja obrigado a fazer resgates antecipados de investimentos, com perdas potenciais, por exemplo. 

Quando não usar a reserva de emergência?

A planejadora financeira CFP pela Planejar, Angela Nunes, adverte que a “reserva de emergência só deve ser usada para cobrir situações pontuais e que fujam do controle orçamentário, como a perda de renda, acometimento por doenças ou outra necessidade que se mostre essencial em um determinado momento”.

Segundo ela, para gastos previsíveis como impostos, matrículas e viagens a lazer não se deve recorrer a este recurso. “Esses gastos devem estar incluídos no planejamento fixo”, esclarece a especialista em entrevista ao portal da CNN Brasil.

Quanto guardar na reserva de emergência? Qual o valor ideal?

O valor ideal para a reserva de emergência pode dividir opiniões entre os especialistas em finanças. 

Isso porque ela pode variar conforme a soma das despesas mensais e o tempo de despreocupação que se deseja ter.

Contudo, há o consenso de que ela não deve ser menor do que quatro meses de cobertura do que é considerado como “essencial” para manter o custo mensal de cada pessoa.

“Se você procurar informações sobre o tamanho da reserva de emergência, certamente ficará diante de recomendações diversas. O que costumo indicar, entretanto, é um montante composto por seis vezes sua renda mensal. Como as despesas podem variar ao longo dos meses, considero a reserva de emergência um cálculo sobre o rendimento. Assim, você terá seis vezes o seu salário para utilizar conforme surgirem emergências. Já se você tem um ganho variável, pode optar por estabelecer a reserva em seis meses dos seus custos mensais”, recomenda André Bona, educador financeiro e parceiro do BTG Pactual (BPAC11). 

Quando se deve começar a fazer a reserva de emergência?

Para responder a esta pergunta, os especialistas concordam que a reserva de emergência deve começar a ser feita o mais cedo possível.

Isso porque ela deve ser um passo anterior ao momento de fazer investimentos que serão usados como base financeira para a realização de objetivos e metas.

Mesmo que a composição da reserva seja feita aos poucos, é muito importante que este montante seja feito impreterivelmente, já que imprevistos não têm data e hora para acontecer.

Especialistas em finanças também avaliam que é melhor que se tenha o equivalente a um mês de gastos guardado na reserva de emergência do que valor nenhum. 

O importante, segundo eles, é que ela seja uma aliada para evitar que imprevistos causem mais problemas do que o necessário no orçamento de uma família.

Como calcular a reserva de emergência? 

O primeiro passo é colocar na ponta do lápis todas as despesas da família, como moradia, alimentação, financiamentos e saúde, entre outros.

Vamos imaginar que a soma desses gastos fiquem em torno de 5 mil reais ao mês. Então, considerando a indicação de seis meses de gastos, a reserva de emergência (mínima) deve ser equivalente a 30 mil reais.

Para começar a juntar este montante, ter o orçamento organizado é fundamental. Pois, assim, é possível eleger um valor mensal que será destinado exclusivamente a este fundo de segurança. 

A dica de ouro é não esperar que sobre algum dinheiro no final do mês para que ele seja remanejado para a reserva de emergência. Isso dificulta o processo de poupar.

Para evitar que a contribuição seja intermitente, uma sugestão é incluir a quantia nos gastos fixos do mês, tornando a reserva tão relevante quanto as outras contas.

Já quem está com o orçamento apertado, deve rever os gastos e cortar aqueles considerados supérfluos. 

Quanto guardar por mês?

A regra de acumulação da reserva de emergência vai depender de acordo com o momento de vida. Fato é que alguns períodos vão exigir condições diferentes.

Afinal, é natural que famílias que acabaram de assumir a compra de um imóvel, consigam poupar menos ao longo do ano. 

Contudo, em períodos de renda extra, como nos meses de pagamento de bônus, participação nos lucros, férias ou décimo terceiro, a proporção de dinheiro guardado pode e deve ser maior.

Uma porcentagem considerada como adequada pelos especialistas em finanças é poupar entre 10% e 20% da renda. Mas, é sempre importante avaliar que cada caso é um caso.

Qual o melhor investimento para a reserva de emergência?

Existem três aspectos fundamentais que ajudam na hora de montar uma reserva de emergência: 

  • Segurança: é fundamental procurar apenas investimentos de baixo risco para a sua reserva. Isso significa que você poderá buscar boas oportunidades na renda fixaMas, nem todos os investimentos desta classe  servem bem a este propósito, pois os títulos têm riscos diferentes.
  • Liquidez: ela está relacionada à facilidade e rapidez com que é viável resgatar o dinheiro sem perdas nos rendimentos ou no valor investido. Para a reserva de emergência, é preciso procurar por títulos seguros e com liquidez diária. Isto é, que permitem resgates a qualquer momento.
  • Rentabilidade: diferente de outros objetivos, voltados para a construção do patrimônio, a rentabilidade não será o ponto crucial para decidir onde investir esse dinheiro.
    Sua função é, basicamente, proteger seu patrimônio e fornecer tranquilidade em caso de acontecimentos inesperados.
    O mais adequado é encontrar um investimento seguro e líquido e deixar o montante investido enquanto não precisar utilizá-lo. 

ilustração com setas e a palavra start: para começar a reserva emergencial já

Reserva de emergência: onde investir em 2022?

Agora, vamos para as dicas de investimentos para formar sua reserva de emergência. 

Melhores investimentos para reserva de emergência

Tesouro Selic

O Tesouro Selic é um título público federal de renda fixa que tem os rendimentos associados à taxa básica de juros, a taxa Selic. 

Como o Tesouro Selic tem liquidez diária, não é preciso esperar a data de vencimento do ativo. Além disso, não há perda de dinheiro pelo tempo em que ele foi aplicado. 

Em relação aos custos de manutenção e tributação, os rendimentos são descontados do imposto de renda, que variam de 22,5% a 15%, de acordo com o tempo em que o dinheiro ficou investido. Se forem até 180 dias, será a taxa maior (22,5%) e, acima de 720 dias, a menor (15%). 

Além disso, você precisa pagar a taxa de custódia da Bolsa de Valores (responsável pela operação), que é 0,30% sobre o valor dos títulos. Há, ainda, cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), caso o resgate seja feito antes de trinta dias.

Apesar da tributação e dos custos de manutenção, o Tesouro Selic é um dos principais ativos de renda fixa no Brasil e possui bons retornos para os investidores.

CDB com liquidez diária

O CDB (Certificados de Depósitos Bancários) com liquidez diária é um título de renda fixa cujo resgate pode ser efetuado diariamente, sem que haja perda da rentabilidade. 

Eles são um ativo que consiste em emprestar dinheiro para uma instituição financeira em troca de um rendimento.

O mercado bancário oferece uma gama variada do ativo e você deve focar apenas na opção que apresente a liquidez diária. 

Diante da sua diversificação, há modalidades de CDBs:

  • Pré-fixado: a rentabilidade é fixa e você sabe exatamente quanto vai receber na data de vencimento.
  • Pós-fixado: a rentabilidade acompanha o CDI (Certificado de Depósito Interbancário), taxa de referência usada em movimentações entre os bancos, que é equivalente à Taxa Selic. Quando mais próxima a rentabilidade do CDB de 100% (ou até mais) do CDI, tanto melhor.
  • Híbrido: o CDB híbrido nada mais é que uma mescla entre o CDB pré-fixado e o pós-fixado – ou seja, uma parte da rentabilidade é estabelecida no momento da aplicação e a outra parte é atrelada a um índice econômico, como o IPCA. Por exemplo: o rendimento do título seria calculado da seguinte forma: IPCA + 1,5% ao ano.

Assim como no Tesouro Selic, há a incidência do imposto de renda na rentabilidade do CDB. O imposto é calculado conforme uma tabela regressiva. Ainda há cobrança de IOF, caso você faça o resgate em menos de trinta dias.

Outra vantagem do CBD é que ele é protegido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) – ou seja: se o banco ou corretora falir, você é ressarcido em até R$ 250 mil por aplicações mantidas em cada instituição financeira.

Fundos DI ou Fundo Referenciado DI

Outra opção para a reserva de emergência são os Fundos DI. Estes fundos são compostos por títulos públicos e privados, que são associados à Selic e ao CDI, administrados por um gestor (banco ou corretora de valores).

Geralmente, o fundo é pós-fixado. Assim, você só irá saber quanto seu dinheiro rendeu na data de vencimento. O Fundo DI tem liquidez diária, e você não terá perda financeira se precisar resgatá-lo em caso de urgência.

Em relação aos custos de manutenção, há uma taxa de administração paga ao gestor, além da tabela regressiva do Imposto de Renda. 

Vale ressaltar que este investimento conta com uma característica denominada de “come-cotas”, em que nos meses de maio e novembro, parte da incidência do IR é adiantada, recaindo sobre o rendimento do período investido.  

Apesar de ser um ativo de renda fixa, o Fundo DI não está protegido pelo FGC. 

Onde não deixar a reserva de emergência? 

Não deixe na conta-corrente!

Quando se fala em guardar dinheiro para a reserva de emergência é importante ter em mente que não significa apenas manter uma quantia na conta-corrente, por exemplo.

Nesse caso, o investidor perderia a oportunidade de ter rendimentos com ela. Podendo, inclusive, ver o montante perdendo valor para a inflação ao longo do tempo.

Poupança também não é indicada 

A poupança também não é recomendada para esta finalidade, pois os rendimentos são muito baixos e, em muitos casos, são menores do que o índice de inflação do país.

Os rendimentos da poupança seguem a seguinte lógica: 

Uma vez que a taxa Selic atualmente está em 10,75% ao ano, vale a primeira regra.

Então, embora ainda bastante popular entre os brasileiros, a verdade é que a caderneta de poupança oferece baixo retorno quando comparada com outras aplicações financeiras mais conservadoras, mesmo diante do cenário de alta dos juros.

O motivo disso é que a poupança não tem nenhum mecanismo de proteção contra a inflação. Mesmo com a poupança pagando um pouco mais por conta da subida do juros, existem produtos no mercado que pagam prêmio de 100% da Selic, o que já é superior aos 70% da Selic pagos pela poupança.

Com isso, o seu dinheiro, mesmo investido e rendendo, perderá poder de compra no futuro.

Além disso, a poupança só rende uma vez ao mês, na data de aniversário. Caso o investidor precise do dinheiro antes dessa data, ele perde a remuneração de todo o período entre os dois aniversários. 

Nunca coloque a reserva de emergência na renda variável!

O motivo para essa recomendação é bastante simples: como a renda variável apresenta oscilações no curto prazo, você poderia simplesmente encontrar uma quantia bem menor do que a que aportou.

Dicas para começar hoje sua reserva de emergência

  • Tenha um orçamento organizado: conhecê-lo bem é fundamental, por isso, anote todas as entradas e saídas de dinheiro. É a partir desses registros que você conhecerá a sua realidade financeira e os gastos do seu dia-a-dia. 
  • Viva um degrau abaixo: isso significa ter um estilo de vida que tenha custos menores que os seus rendimentos. Essa dica permite fazer um planejamento financeiro com mais tranquilidade, gera recursos para investimentos periódicos e amortece o impacto em caso de um imprevisto financeiro.
  • Não espere sobrar dinheiro: isso afasta você do objetivo, pois muitas “tentações” irão aparecer. O ideal é ter uma forma automática de captar esse dinheiro todos os meses.
  • Faça renda extra: se o orçamento está apertado, vale a pena encontrar uma forma de incrementar a renda.
  • Pague primeiro as dívidas: as pessoas com dívidas em aberto devem dar preferência ao pagamento das mesmas, pois elas sofrem incidência de juros, o que pode tornar o rombo ainda maior.

Comece já essas mudanças e boa sorte!

  • Quer saber mais sobre reserva de emergência? Clique aqui e converse com um assessor da EQI Investimentos.

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