Home
Notícias
Renda Variável
Mesmo com queda da Selic, investidor segue na renda fixa

Mesmo com queda da Selic, investidor segue na renda fixa

Agentes do mercado financeiro esperavam que os investimentos em renda variável fossem retomados de maneira expressiva com o início da queda da taxa básica de juros (Selic). O movimento, no entanto, é lento e deve levar mais tempo do que o esperado.

Agentes do mercado financeiro esperavam que os investimentos em renda variável fossem retomados de maneira expressiva com o início da queda da taxa básica de juros (Selic). O movimento, no entanto, é lento e deve levar mais tempo do que o esperado, com a renda fixa ainda trazendo ganhos relevantes. 

Especialistas projetam que o investidor pessoa física tenha mais apetite por ações quando a renda fixa passar a proporcionar um retorno menor. Mesmo após a primeira queda, a taxa Selic ainda permanece em nível elevado, a 13,25% ao ano. 

Um levantamento do jornal Valor Econômico, com base nos dados mais recentes da B3 ($B3SA3), mostra que desde 3 de agosto, dia seguinte ao início do ciclo de cortes dos juros, investidores individuais aportaram R$ 2,04 bilhões no segmento secundário da bolsa. O valor representa quase dois terços dos R$ 3,22 bilhões aportados em todo o ano de 2023 até então. 

Investimento em bolsa não deve ter mesma intensidade

Na EQI Investimentos, os ativos sob custódia em renda variável aumentaram cerca de 11% desde o fim de janeiro. A alocação em renda variável continua atrás da renda fixa no período.

Publicidade
Publicidade

Roberto Varaschin, sócio-diretor e cofundador da EQI Investimentos, diz que o investidor pessoa física costuma buscar primeiro outros produtos, como fundos imobiliários, antes de voltar para ações. “Enquanto a Selic estiver rendendo 13,75%, ou mesmo 13,25% ao ano, o investidor não vai se mexer. Isso só vai acontecer quando o rendimento à vista cair”, afirmou ao Valor.

Varaschin diz que se o investimento em banco render menos do que 1%, “o cliente fica insatisfeito”. Desta vez, no entanto, o comportamento pode mudar, dado que o brasileiro “se acostumou” com um rendimento ainda maior, com a Selic acima dos 13% há mais de um ano. 

Mesmo após o fim do ciclo de quedas da taxa Selic, o cofundador da EQI Investimentos tem dúvidas se a pessoa física voltará à bolsa de valores com a mesma intensidade de épocas anteriores. Até março de 2021, a taxa básica de juros era de 2%. 

Outro ponto que fomenta a dúvida é a projeção para a Selic ainda em 2024: segundo o Boletim Focus de segunda-feira (21), divulgado pelo Banco Central, a expectativa para a taxa é de 9% no fim do ano que vem.“Se o juro ficar em 9% ou 10% ao ano, a renda fixa continua atrativa”, diz Varaschin. “No último ciclo [de afrouxamento monetário], esse investidor foi quase forçado a ir para a renda variável. Ou ele tomava risco ou ganhava de 2% a 4% por ano.