Em um ambiente marcado por juros reais elevados e incertezas fiscais e políticas no horizonte, estratégias focadas em geração de renda têm adotado uma postura mais cautelosa.
Com a Carteira Vivendo de Renda completando um ano, a avaliação de Carolina Borges, Head e analista de fundos imobiliários da EQI Research, reforça essa postura: neste momento, diferentes classes de ativos oferecem níveis semelhantes de atratividade quando o objetivo é construir uma renda recorrente e sustentável, o que reduz a necessidade de mudanças na alocação.
A prioridade dessas estratégias não é maximizar retornos pontuais ou perseguir dividend yields elevados no curto prazo, mas estruturar fontes de renda previsíveis, capazes de atravessar diferentes fases do ciclo econômico. Nesse contexto, a manutenção das posições passa a ser entendida como uma decisão ativa, baseada na relação entre risco, retorno e na sustentabilidade da renda ao longo do tempo.
Renda fixa segue como pilar em meio a juros restritivos
Na renda fixa, os títulos com vencimentos intermediários continuam oferecendo retornos reais acima de 7,5% ao ano, patamar considerado elevado em termos históricos. O cenário é sustentado por uma política monetária ainda restritiva, em um contexto de inflação de serviços persistente e mercado de trabalho aquecido.
A expectativa predominante no mercado é de que um ciclo de cortes de juros se inicie apenas em 2026, de forma gradual e condicionado à ancoragem das expectativas inflacionárias. Até lá, fatores como o calendário eleitoral e o risco fiscal adicionam volatilidade à curva de juros, especialmente nos prazos mais longos, o que tem levado gestores a manter uma postura mais cautelosa nesses vencimentos.
Fundos imobiliários combinam renda estável e proteção patrimonial
Nos fundos imobiliários, a preferência segue concentrada nos fundos de tijolo, que oferecem maior previsibilidade na geração de renda por meio de aluguéis e preservação de patrimônio via imóveis físicos. Após um período prolongado de desvalorização, o segmento apresentou recuperação ao longo do último ano, impulsionando resultados em shoppings, lajes corporativas e fundos híbridos.
“Os fundos de tijolo tendem a se beneficiar de um eventual fechamento da curva de juros, enquanto os FIIs de papel cumprem um papel defensivo importante, com menor volatilidade e geração recorrente de caixa. Essa combinação ajuda a dar mais previsibilidade à renda do investidor”, afirma Carol Borges.
Apesar da melhora recente nos preços, a avaliação é de que não há, neste momento, assimetrias claras que justifiquem movimentos mais agressivos no setor.
Ações ampliam o potencial de crescimento da renda
As ações boas pagadoras de dividendos seguem como complemento em estratégias de renda, especialmente para investidores com maior tolerância ao risco. Embora apresentem maior volatilidade e dependam da disciplina financeira das empresas, elas oferecem potencial de crescimento real da renda ao longo dos anos.
Mesmo com riscos de curto prazo, algumas ações do segmento registraram valorizações expressivas, reforçando o papel dessa classe como instrumento de diversificação e preservação do poder de compra da renda.
Qualidade da renda pesa mais do que o valor do dividendo
A leitura do mercado mostra que, apesar de estratégias distintas, o dividend yield tende a convergir para patamares semelhantes ao longo do tempo. A conclusão reforça uma visão amplamente compartilhada entre analistas: o diferencial está menos no quanto se paga em dividendos e mais na qualidade das fontes de renda e nos riscos envolvidos para sustentá-las.
Diante da ausência de oportunidades claramente assimétricas, a estratégia predominante tem sido preservar a estrutura atual, priorizando estabilidade, previsibilidade e consistência na geração de renda em um cenário ainda desafiador.
“Renda não é prometer mais, é sustentar melhor ao longo do tempo”
“A Carteira Vivendo de Renda foi criada para atravessar ciclos sem sobressaltos. Agora, ao completar um ano, os números confirmam que diferentes alocações podem gerar resultados muito semelhantes quando o foco está na qualidade da renda e no controle de riscos”, destaca Carol Borges.
Ela explica que, nesta edição, a equipe reuniu o desempenho das carteiras por perfil, a análise por classe de ativo e os fundamentos que sustentam a decisão de manter a alocação no cenário atual.
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