O Tesouro Direto hoje (26) apresentava uma forte disparada nas taxas dos títulos prefixados e atrelados à inflação por volta das 16h07. A reprecificação ocorria no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e levou o Tesouro Nacional a adotar medidas para reduzir a volatilidade do mercado.
A maior alta aparecia no Tesouro Prefixado 2032. A rentabilidade saltou de 12,90% na sexta-feira (23) para 15,50% ao ano, avanço de 2,60 pontos percentuais.
O preço unitário do título caiu de R$ 535,28 para R$ 476,32. A desvalorização foi de R$ 58,96, ou aproximadamente 11,01%.
O Tesouro Prefixado 2029 subiu de 12,77% para 15,26% ao ano, enquanto o Prefixado com Juros Semestrais 2037 avançou de 12,90% para 15,19%. As altas foram de 2,49 e 2,29 pontos percentuais, respectivamente.
Entre os títulos indexados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2032 passou de IPCA + 6,76% para IPCA + 7,80% ao ano, acréscimo de 1,04 ponto percentual. Todos os vencimentos disponíveis voltaram a oferecer juro real superior a 7%.
A maior queda porcentual nos preços aparecia no IPCA+ 2050. O valor unitário recuou de R$ 1.080,38 para R$ 956,55, perda de R$ 123,83, ou aproximadamente 11,46%.
A desvalorização decorre da relação inversa da marcação a mercado. Quando as taxas exigidas pelos investidores sobem, os preços dos títulos já emitidos caem, especialmente nos papéis com vencimentos mais longos.
Resultado eleitoral provoca reprecificação dos ativos
Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito com 64,25 milhões de votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro recebeu 59,82 milhões de votos, ou 48,21%, segundo o resultado divulgado pelo Tribunal Superior Eleitoral.
A reação dos mercados refletia o desmonte de posições construídas nas semanas anteriores em torno de um resultado eleitoral diferente. Com a confirmação da reeleição, os investidores passaram a exigir prêmios maiores enquanto aguardavam novas indicações sobre a condução da política fiscal no próximo mandato.
A alta também se espalhava pelos contratos de Depósito Interfinanceiro. O DI para janeiro de 2029 passou de 12,595% no fechamento de sexta-feira para 15,175%, aumento de 2,58 pontos percentuais.
O contrato para janeiro de 2031 avançou de 12,575% para 15,355%, acréscimo de 2,78 pontos percentuais. Já o vencimento de janeiro de 2035 subiu de 12,655% para 15,26%.
A reprecificação atingia outros ativos brasileiros. Por volta das 16h, o Ibovespa recuava aproximadamente 15%, enquanto o dólar comercial operava acima de R$ 5,40.
Tesouro atrasa abertura e recompra R$ 7,1 bilhões
O Tesouro Direto permaneceu fechado durante parte da manhã devido à elevada volatilidade das taxas dos títulos públicos. O Tesouro Reserva, que não possui marcação a mercado, continuou funcionando normalmente.
Depois da retomada das negociações, o Tesouro Nacional anunciou o cancelamento dos leilões de títulos prefixados e atrelados à inflação programados para terça e quinta-feira. O leilão de papéis vinculados à Selic previsto para terça-feira foi mantido.
O órgão também realizou uma recompra de aproximadamente R$ 7,1 bilhões em Notas do Tesouro Nacional Série F, os títulos prefixados com pagamento de juros semestrais. Foram adquiridos 5 milhões de papéis com vencimento em 2031, 2,4 milhões com vencimento em 2033 e 1 milhão com vencimento em 2037.
A recompra retira títulos do mercado e oferece liquidez aos investidores em períodos de forte desajuste entre preços de compra e venda. A operação pode reduzir distorções de curto prazo, mas não elimina a revisão dos prêmios exigidos para financiar a dívida pública.
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Tesouro Direto hoje: confira as taxas
Confira as taxas registradas por volta das 16h07 desta segunda-feira, comparadas com a referência de sexta-feira (23):
Prefixados
- Tesouro Prefixado 2029: 15,26% ao ano — alta de 2,49 p.p.
- Tesouro Prefixado 2032: 15,50% ao ano — alta de 2,60 p.p.
- Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037: 15,19% ao ano — alta de 2,29 p.p.
Atrelados à Selic
- Tesouro Selic 2031: Selic + 0,0992% ao ano — praticamente estável
Atrelados ao IPCA
- Tesouro IPCA+ 2032: IPCA + 7,80% — alta de 1,04 p.p.
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037: IPCA + 7,61% — alta de 0,88 p.p.
- Tesouro IPCA+ 2040: IPCA + 7,29% — alta de 0,71 p.p.
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045: IPCA + 7,30% — alta de 0,72 p.p.
- Tesouro IPCA+ 2050: IPCA + 7,03% — alta de 0,55 p.p.
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060: IPCA + 7,11% — alta de 0,61 p.p.






