O Tesouro Direto hoje (30) opera com pressão nos títulos atrelados à inflação de prazos mais longos, após a divulgação de um resultado fiscal pior do que o esperado. O Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037 avançou de IPCA + 7,93% para IPCA + 7,94% ao ano e voltou a se aproximar da marca psicológica de 8%.
A alta ficou concentrada nos vencimentos intermediários e longos do IPCA+. Já os prefixados tiveram leve queda em relação à véspera. O Tesouro Prefixado 2029 passou de 14,26% para 14,25% ao ano, enquanto o Tesouro Prefixado 2032 caiu de 14,46% para 14,42%.
O pano de fundo é a piora da percepção fiscal. O resultado fiscal de maio veio abaixo do consenso, com déficit nominal de R$ 149 bilhões, ante expectativa de R$ 148,3 bilhões. A dívida bruta subiu para pouco acima de 81% do PIB, acima da leitura de abril e da projeção do mercado.
Tesouro Direto hoje: IPCA+ longo volta a subir
Entre os títulos atrelados à inflação, o Tesouro IPCA+ 2032 recuou levemente, de IPCA + 8,33% para IPCA + 8,30% ao ano. Mesmo assim, segue acima de 8% de juro real, patamar ainda elevado para o vencimento mais curto da família.
A pressão maior apareceu nos prazos mais longos. O Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037 subiu para IPCA + 7,94%, ficando mais perto de 8%. O IPCA+ 2040 avançou de IPCA + 7,67% para IPCA + 7,68%.
Nos vencimentos mais distantes, o IPCA+ com Juros Semestrais 2045 passou de IPCA + 7,64% para IPCA + 7,67%. O IPCA+ 2050 subiu de IPCA + 7,34% para IPCA + 7,37%. Já o IPCA+ com Juros Semestrais 2060 foi de IPCA + 7,51% para IPCA + 7,54%.
Para novos aportes, taxas mais altas aumentam a remuneração contratada acima da inflação. Para quem já carrega esses papéis na carteira, porém, a abertura das taxas tende a pressionar os preços no curto prazo.
Resultado fiscal pesa na curva
A piora fiscal voltou ao centro da leitura do mercado. A alta da dívida pública e o déficit acima do esperado reforçaram a percepção de que os investidores seguem cobrando prêmio elevado para financiar o governo, principalmente em prazos mais longos.
Prefixados ficam praticamente estáveis
Na ponta dos prefixados, as taxas não repetiram a pressão dos papéis atrelados à inflação. O Tesouro Prefixado 2029 caiu de 14,26% para 14,25% ao ano. Com isso, o papel ficou exatamente no nível da Selic, atualmente em 14,25% ao ano.
O Tesouro Prefixado 2032 também recuou, de 14,46% para 14,42% ao ano.
Apesar da queda marginal, os patamares seguem elevados. A curva ainda reflete uma combinação de incerteza fiscal, expectativas de inflação desancoradas e cautela com os próximos passos do Banco Central.
DIs sobem e Ibovespa cai
No mercado futuro de juros, os DIs operavam com viés de alta em parte relevante da curva. O DI para janeiro de 2029 avançava para 14,23%, enquanto contratos intermediários também subiam no intradiário. Nos vencimentos mais longos, a leitura era mais mista, com o DI para janeiro de 2037 em 14,21%.
O mercado local também tinha um dia negativo. O Ibovespa caía cerca de 1%, tentando sustentar a região dos 171 mil pontos, enquanto o dólar comercial subia para perto de R$ 5,17. A Bolsa era pressionada por bancos, Vale, Petrobras e varejistas.
O ambiente externo trazia algum alívio, com bolsas americanas em alta, mas o fiscal doméstico dominava a leitura da renda fixa brasileira nesta terça-feira.
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Taxas do Tesouro Direto hoje
Confira as taxas do Tesouro Direto hoje, por volta das 11h13:
Prefixados
- Tesouro Prefixado 2029: 14,25% ao ano (-0,01 p.p.)
- Tesouro Prefixado 2032: 14,42% ao ano (-0,04 p.p.)
Atrelado à Selic
- Tesouro Selic 2031: Selic + 0,0743%
Atrelados ao IPCA
- Tesouro IPCA+ 2032: IPCA + 8,30% (-0,03 p.p.)
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037: IPCA + 7,94% (+0,01 p.p.)
- Tesouro IPCA+ 2040: IPCA + 7,68% (+0,01 p.p.)
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2045: IPCA + 7,67% (+0,03 p.p.)
- Tesouro IPCA+ 2050: IPCA + 7,37% (+0,03 p.p.)
- Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060: IPCA + 7,54% (+0,03 p.p.)






