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Light paga juros de debêntures por engano: e agora?

Light paga juros de debêntures por engano: e agora?

Light paga juros de debêntures por engano e tenta reaver R$ 36 milhões. Saiba como ocorreu o erro e qual é a situação da RJ da empresa

A Light (LIGT3), empresa de energia elétrica que está em recuperação judicial, cometeu um erro que pode custar caro aos seus cofres. A companhia pagou indevidamente R$ 36 milhões de juros de uma debênture que deveria estar suspensa por conta do processo de reestruturação de dívidas.

O pagamento foi feito na última quinta-feira (15) aos investidores que compraram a debênture LightB0, um título de dívida incentivado que oferece uma remuneração de IPCA + 5,08% ao ano. A emissão foi de R$ 600 milhões, com vencimento em 2025.

A Light, porém, não deveria ter feito esse pagamento, pois está em recuperação judicial desde maio de 2023. Nessa situação, a empresa fica desobrigada de honrar seus compromissos financeiros até que apresente um plano de recuperação e o mesmo seja aprovado pelos credores.

O pagamento foi fruto de um erro do sistema do Itaú, o banco responsável pela custódia da debênture. Assim que percebeu o equívoco, a Light entrou em contato com o banco e solicitou o ressarcimento do valor pago.

O Itaú, por sua vez, enviou comunicados aos investidores informando que iria estornar o crédito feito em suas contas. No entanto, essa medida pode ser difícil de ser executada, pois muitos clientes podem ter sacado ou movimentado o dinheiro recebido.

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Em nota, o banco afirmou que “está realizando a regularização dos créditos feitos indevidamente na conta dos debenturistas da empresa Light, de modo que não haja qualquer prejuízo para a companhia ou seus investidores”.

Recuperação judicial da Light

A Light tem uma dívida total de R$ 11 bilhões, sendo que R$ 10 bilhões correspondem à sua distribuidora de energia, que enfrenta sérios problemas operacionais e financeiros.

A empresa não consegue cobrar por mais da metade da energia que distribui no mercado de baixa tensão, devido às chamadas “áreas com restrição operacional”, onde há risco de violência e furto de energia. Além disso, a tarifa cobrada pela Light só cobre 40% dos custos da distribuição.

A empresa tenta negociar com os credores uma proposta de recuperação judicial que envolve a conversão de 40% das dívidas em ações e o pagamento do restante em oito anos, com juros de IPCA + 4% ao ano. A proposta conta com o apoio de Nelson Tanure, principal acionista da Light, que se dispôs a injetar R$ 1 bilhão na companhia.

No entanto, os credores ainda não aceitaram a proposta e exigem melhores condições de pagamento. A Light tem até o final de março para apresentar um plano de recuperação que satisfaça a maioria dos credores, caso contrário, pode ter sua falência decretada.