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Qual o cenário do ESG hoje no Brasil? Saiba mais aqui

Qual o cenário do ESG hoje no Brasil? Saiba mais aqui

Redação EuQueroInvestir

Redação EuQueroInvestir

26 Mai 2022 às 18:30 · Última atualização: 24 Jun 2022 · 8 min leitura

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26 Mai 2022 às 18:30 · 8 min leitura
Última atualização: 24 Jun 2022

Agenda ESG

Reprodução/Pixabay

Muito se tem discutido nos últimos anos sobre os três pilares do ESG (ambiental, social e governança)

Embora seja esperado que estes três fatores funcionem de forma integrada, estudos recentes mostram que cada aspecto da sigla avança em cenários que ganham contornos mais ou menos proeminentes em determinados momentos e localidades. 

Apesar de ter vozes mundiais influentes como Larry Fink, CEO da gestora norte-americana BlackRock, o ESG ainda desperta uma perspectiva peculiar entre os players brasileiros, o que mostra que ainda há espaço para avanços. 

Entenda o que os investidores vêm considerando no momento em que o ESG avança na roda de conversas do mercado de investimentos brasileiro.  

Sustentabilidade: importante para o setor financeiro, mas ainda existe lacuna

Um exemplo do “desnivelamento” entre os aspectos da sigla foi apontado na pesquisa “Retrato da Sustentabilidade no Mercado de Capitais”, realizada pela Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais).

O estudo questionou gestoras, bancos, corretoras, distribuidoras, entre outros players, sobre como o ESG é visto e tratado no mercado de capitais brasileiro. 

O panorama reconheceu cinco padrões de comportamento com base no posicionamento e compreensão do tema: desconfiado (4,2%), distante (35,5%), iniciado (32,1%), emergente (21,5%), engajado (6,8%). 

De acordo com o estudo, a maioria do mercado enxerga o “S” de sustentabilidade como relevante: aproximadamente 85% das casas classificam a importância das práticas ESG com notas de 7 a 10 (sendo 10 a mais alta). 

Cerca de 44% deram notas 9 e 10 e 42% atribuíram notas 7 e 8. Apenas 3% das casas deram notas entre 0 e 4, indicando que veem pouca ou nenhuma importância nas questões ESG. 

Estudo aponta discrepância entre teoria e prática

Mas, apesar do reconhecimento, a pesquisa teria identificado o que considerou uma assimetria entre a atribuição de importância para a sustentabilidade e a adoção de medidas práticas. 

Muitas instituições que responderam de forma positiva às perguntas sobre percepção e importância do tema ESG, dizem estar em “processo de implementação” ou “ainda não terem implementado ações concretas”.

Enquanto 85% das gestoras de recursos e 90% dos bancos deram notas acima de 7 para a importância que veem na sustentabilidade, apenas 26% das gestoras e 43% dos bancos incluem esse tema em seus códigos de conduta. 

Para apenas 18% dos entrevistados a sustentabilidade é parte essencial do desenvolvimento da divulgação de produtos.

Avanço nas gestoras de recursos

Ainda de acordo com o estudo, quando se olha apenas para as gestoras de recursos, houve avanço na existência de política de investimento responsável.

Atualmente, 80% declararam ter uma política de investimento responsável ou um documento que formalize seu tratamento ao tema, contra 68% mapeado no último levantamento, realizado em 2018. 

Um terço (35%) diz estar em processo de desenvolvimento de um documento incorporando questões ESG. 

Entre as gestoras que não têm política e nem estão desenvolvendo uma, destacam-se as assets de menor porte, com até R$ 100 milhões em ativos sob gestão. 

“O mercado caminha para uma evolução. Mais casas têm políticas de investimento responsável, aumentoaram o volume de ativos analisados pelas lentes ESG e também a quantidade de empresas que têm uma estrutura interna específica para tratar o assunto”, observa Carlos Takahashi, vice-presidente da Anbima.

Com relação à análise dos ativos sob as lentes ESG, 49% das gestoras dizem avaliar entre 100% e 50% dos papéis. Em 2018, esse dado alcançava somente 27%. 

Sobre a estrutura das assets, houve avanço no mercado: enquanto em 2018 apenas 34% das gestoras declarou ter alguma estrutura para tratar de ESG, agora, 71% afirma ter alguma estrutura (exclusiva ou não) para tratar de sustentabilidade, mas com funcionários diretamente envolvidos ou treinados ou com comitê específico dedicado ao tema.

ESG: Governança é o aspecto mais observado pelas gestoras de recursos

A pesquisa da Anbima também reforçou o que já se sabe sobre o mercado financeiro: o “G” de “governança”, é o aspecto mais observado pelas 209 gestoras de recurso entrevistadas. Sendo a transparência (92%) e a ética (92%) os requisitos mais importantes. 

“Isso reflete o fato de que, historicamente, o mercado está mais acostumado a relacionar a gestão das empresas ao seu desempenho financeiro, enquanto aspectos ambientais e sociais passaram a ser contemplados mais recentemente”, analisa a entidade. 

Nova consciência ambiental e social: mas compreensão ainda é rasa 

Aspectos relacionados às dimensões ambiental e social, respectivamente, foram mencionados com menor frequência durante a pesquisa. 

“Sem dúvida, a consciência dos players aumentou, mas quando se entra em questões específicas, observamos um mercado fragmentado, que ainda precisa compreender o tema em maior profundidade”, avalia o vice-presidente da Anbima.

Dentro do aspecto “ambiental”, aparecem com destaque o uso de recursos naturais (76%), tecnologia limpa (71%) e poluição (71%). No campo “social”, chama atenção a observância aos direitos humanos (73%), destaca o estudo.

De maneira geral, critérios relacionados à diversidade, como “política de inclusão” e composição do conselho de administração, são os que ainda recebem menos atenção dos gestores.

Gestores apoiam iniciativas, mas mantém intenção de retorno

Outro ponto no que diz respeito ao ESG foi identificada por uma pesquisa feita pela PwC, segundo estudo divulgado pelo Estadão, que conversou com gestores de ativos e analistas de grandes empresas de investimentos, bancos e corretoras nacionais e internacionais, entre os meses de setembro e outubro de 2021. 

O resultado mostrou que 75% deles afirmam que as empresas deveriam adotar práticas ESG, mesmo que isso signifique abrir mão da lucratividade de curto prazo. 

Em contrapartida, 49% responderam que não aceitariam nenhuma redução percentual no retorno de seus investimentos. Apenas 19% deles aceitariam redução na rentabilidade de 1% ou mais.

Preocupação a longo prazo gera incerteza

De acordo com os responsáveis pelo estudo, esse conflito pode ser justificado “pela competitividade dos mercados e seus mandatos de investimento, que não permitem que priorizem questões sociais em vez do retorno financeiro”. 

Além disso, o longo prazo (período em que o ESG gera mais resultado) é mais incerto e menos objetivo que o curto.

Investir ou não investir?

Entre os 360 investidores entrevistados pela PwC, 79% afirmam que as práticas ESG de uma empresa têm impacto na decisão de investir nela ou não. 

Cerca de 49% afirmaram a intenção de retirar recursos de companhias que não tenham ações ESG concretas. 

Do total, 82% afirmaram que o ESG deve estar diretamente ligado às estratégias de negócio das companhias.

ESG ainda tem muito espaço para avançar no Brasil, avalia especialista

Para Elias Wiggers, assessor da EQI Investimentos, o ESG no Brasil ainda é incipiente, na comparação com o Hemisfério Norte, especificamente no continente Europeu e em países como Canadá e EUA, regiões onde as “conversas sobre o tema estão mais avançadas”.

“Embora seja possível ver avanços em muitos setores, não me parece que o tema esteja muito no radar dos investidores brasileiros. O que vemos é uma demanda de um nicho mais específico, em geral, de pessoas mais jovens. Mas, ainda temos um perfil médio majoritário de investidores de 50 anos +, que investem no longo prazo”, analisa Wiggers. 

Governança é ponto de atenção dos investidores brasileiros

O assessor de investimentos, concorda que o ponto de atenção mais evidente do ESG mais perceptível nas empresas e para o investidor brasileiro está relacionado com ao pilar de governança. 

“O histórico recente de impactos, sobretudo negativos, nas empresas e na nossa economia causados pela desgovernança corporativa, ‘faz muito mais preço’ no nosso mercado”, observa o assessor da EQI.

Para ele, questões políticas que ocorreram desde a metade da década pesaram no nível de confiança de investidores internacionais no Brasil.

“Qualquer pessoa hoje no Brasil, de qualquer faixa etária, está muito mais diretamente preocupada com estas nuances do que estava há cinco ou 10 anos atrás. Porque a maioria delas sentiu na pele e entende perfeitamente os impactos em suas vidas pessoais”, analisa.

O assessor observa ainda que “(tal cenário) fez com que empresas brasileiras e bancos, de qualquer matriz, perdessem selos de confiabilidade e vissem seus ratings de risco de crédito serem drasticamente rebaixados pelas agências de classificação”. 

ESG: empresas transparentes devem se destacar junto aos investidores 

Para finalizar, o assessor de investimentos observa que “empresas e negócios brasileiros que mantenham iniciativas concretas para aprimorar os preceitos fundamentais de ‘governança’ receberão mais destaque dentro do ESG”. 

“Quem mantiver o foco em se manter transparente, evitando fazer negócios com empresas que estiveram envolvidas em denúncias de corrupção, tendem a se beneficiar dessa nova percepção, que ainda vem se desenvolvendo entre os investidores e players do mercado brasileiro”, destaca.

Ele complementa que as empresas que se mantiverem íntegras em relação ao que se espera de uma companhia, com compromissos sociais e ambientais, que segundo ele, vão além das questões meramente ‘da moda’, como poluição, uso de combustíveis fósseis, crédito de carbono, ou iniciativas sociais de cunho ideológico e meramente inclusivas, terão mais chances entre os investidores.

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