A taxa de desemprego no Brasil caiu para 8,7% no trimestre de julho a setembro de 2022, um recuo de 0,2 ponto percentual em relação a agosto, quando a taxa foi de 8,9%, e de 0,6 ponto percentual ante o trimestre encerrado em junho, quando a taxa era de 9,3%. Em relação ao trimestre encerrado em setembro de 2021, o recuo é ainda maior, de 3,9 p.p.
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Os dados são da Pnad Contínua divulgada na manhã desta quinta-feira (27) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Segundo a pesquisa, o Brasil tem hoje 9,5 milhões de pessoas desocupadas, o menor nível desde o trimestre terminado em dezembro de 2015, com recuo de 6,2% (621 mil pessoas) em relação a junho deste ano.
A população ocupada (99,3 milhões) é recorde na série iniciada em 2012, com alta de 1,0% (mais 1,0 milhão) ante o trimestre anterior e de 6,8% (mais 6,3 milhões) no ano. O nível da ocupação (percentual de pessoas ocupadas na população em idade de trabalhar) foi de 57,2%, subindo 0,4 p.p. no trimestre e 3,1 p.p. no ano. Foi o nível mais alto desde o trimestre terminado em outubro de 2015.

Queda na taxa de desemprego confirma tendência do Caged
Os dados da Pnad Contínua confirmam a tendência de redução do desemprego mostrada na quarta-feira (26) pelo Caged, que apontou a geração de 285 mil empregos formais no mês de setembro, segundo dados do Ministério do Trabalho.
Os números, contudo, não são iguais porque o Caged registra apenas a movimentação formal, com os dados de admissões e desligamentos fornecidos eletronicamente pelos empregadores, enquanto a Pnad Contínua leva em conta também o mercado de trabalho informal.
Subutilização também em queda, diz pesquisa
A taxa composta de subutilização (20,1%) foi a menor desde o trimestre terminado em março de 2016, caindo 1,1 p.p. no trimestre e 6,4 p.p. no ano. A população subutilizada (23,4 milhões de pessoas) caiu 5,3% (menos 1,3 milhão) no trimestre e 23,8% (menos 7,3 milhões) no ano.
Já a população subocupada por insuficiência de horas trabalhadas (6,2 milhões) caiu 5,7% (menos 375 mil pessoas) no trimestre e 20,3% (menos 1,6 milhão de pessoas) no ano. É o menor contingente desde o trimestre terminado em junho de 2017.
A população fora da força de trabalho (64,7 milhões de pessoas) permaneceu estável ante o trimestre anterior e recuou 1,1% (menos 727 mil pessoas) no ano.
A população desalentada, que desistiu de procurar trabalho por opção própria, é de 4,3 milhões de pessoas, número estável ante o trimestre anterior e com queda 17,2% (menos 887 mil de pessoas) na comparação anual. O percentual de desalentados na força de trabalho ou desalentada (3,8%) ficou estável frente ao trimestre anterior e caiu 0,8 p.p. frente ao mesmo trimestre do ano anterior.
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Aumento dos empregos formais
O número de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado (sem considerar trabalhadores domésticos) foi de 36,3 milhões, subindo 1,3% (482 mil pessoas) frente ao trimestre anterior e 8,2% (mais 2,8 milhões de pessoas) na comparação anual.
O número de empregados sem carteira assinada no setor privado (13,2 milhões de pessoas) foi o maior da série histórica, iniciada em 2012, apresentando estabilidade no trimestre e elevação de 13,0% (1,5 milhão de pessoas) no ano.
O número de trabalhadores por conta própria foi de 25,7 milhões de pessoas. Tanto na comparação com trimestre anterior quanto na comparação anual houve estabilidade.
O número de trabalhadores domésticos (5,9 milhões) permaneceu estável ante o trimestre anterior e subiu 9,9% (mais 532 mil pessoas) no ano. O número de empregadores (4,4 milhões) ficou estável no trimestre e subiu 14,5% (550 mil pessoas) no ano.
O número de empregados no setor público foi recorde da série histórica (12,2 milhões), crescendo 2,5% (291 mil pessoas) no trimestre e 8,9% (989 mil pessoas) no ano. Outro recorde foi o número de empregados no setor público sem carteira assinada (3,1 milhões) que cresceu 11,6% (317 mil pessoas) no trimestre e 35,4% (799 mil pessoas) no ano.
A taxa de informalidade foi de 39,4% da população ocupada, contra 40,0% no trimestre anterior e 40,6% no mesmo trimestre de 2021. O número de trabalhadores informais chegou a 39,1 milhões.
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Rendimento real aumenta, segundo Pnad Contínua
O rendimento real habitual (R$ 2.737) cresceu 3,7% em relação ao trimestre anterior e 2,5% na comparação anual. A massa de rendimento real habitual (R$ 266,7 bilhões) cresceu 4,8% frente ao trimestre anterior e 9,9% na comparação anual.
Na divisão por setores, houve crescimento em:
- Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (13,2%, ou mais R$ 216)
- Construção (5,7%, ou mais R$ 114)
- Comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (8,3%, ou mais R$ 174)
- Outros serviços (8,9%, ou mais R$ 175)
- Serviços domésticos (4,6%, ou mais R$ 46).
Houve redução no grupamento de Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (3,4%, ou menos R$ 134).
As posições na ocupação que tiveram alta no rendimento, no trimestre, foram: Empregado com carteira de trabalho assinada (2,8%, ou mais R$ 71), Empregado no setor público (inclusive servidor estatutário e militar) (2,3%, ou mais R$ 92) e Empregador (10,0%, ou mais R$ 613). As demais categorias não apresentaram variação significativa.
A comparação com o trimestre de julho a setembro de 2021 indicou aumento nas categorias: Trabalhador doméstico (4,6%, ou mais R$ 46) e Conta própria (5,0%, ou mais R$ 103).
Stephan F. Kautz, economista-chefe da EQI Asset, afirmou que os números da Pnad Contínua reiteram a sinalização de desaceleração da economia e do crescimento no mercado de trabalho que já havia sido feita pelo Caged nesta quarta-feira.
“A gente já vê uma desaceleração importante, tanto entre os trabalhadores formais como entre os informais”, explica Kautz.
Ele aponta também que os dados são corroborados pela estabilidade nos dados recentes de atividade de indústria e comércio. “Apenas o setor de serviços ainda continua mostrando dinâmica de melhora nas atividades”, alerta.
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