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Supermercado virou um negócio ingrato?

Supermercado virou um negócio ingrato?

A operação do Pão de Açúcar até gera caixa, mas o financeiro morde mais. E aí o supermercado vira refém do calendário

Não é que “o setor piorou”. É que o jogo ficou cruel:
• cliente mais sensível a preço
• custo ainda alto
• e juro transformando qualquer erro em crise

O GPA (PCAR3) colocou no balanço o tipo de frase que ninguém quer escrever: incerteza relevante sobre continuar operando. Teremos uma recuperação judicial a caminho?

Capital de giro negativo (~R$ 1,22 bi) e R$ 1,7 bi vencendo em 2026. A operação até gera caixa, mas o financeiro morde mais. E aí o supermercado vira refém do calendário.

“Ah, então o atacarejo tá safe”

Tá melhor posicionado. Mas não tá imune.



O Assaí Atacadista (ASAI3) fechou 2025 com alavancagem de 2,56x e diz que reduziu a dívida líquida em R$ 1,2 bi, com R$ 2,8 bi de caixa livre no ano.

Isso é bom. Mas também mostra a realidade: atacarejo precisa rodar com disciplina de caixa o tempo todo. Cresceu? Ótimo. Errou preço/estoque/perda? O caixa cobra na hora. Até quando o Belmiro se segura na cadeira de CEO?

O Carrefour está num setor em que você trabalha pra ganhar décimos de margem. O próprio grupo fala em margem operacional de 2,6% em 2025 e plano pra empurrar isso pra cima nos próximos anos. O jogo é volume com margem curta. Se o custo sobe e você não repassa, some resultado.

Grupo Mateus (GMAT3) teve correção contábil de R$ 1,1 bi em estoques (superavaliados), e isso machuca o que mais importa em varejo: credibilidade do número. Supermercado vive de estoque. Se estoque vira dúvida, o mercado vira as costas.

O varejo de alimentos virou um campeonato de caixa. Quem tem dívida cara, sofre. Quem tem controle ruim, apanha. Quem erra execução, sangra em silêncio.

Ah, eu ainda vejo oportunidades na redes regionais, a depender do nível de governança. Tem margem Ebitda melhor e endividamento mais “saudável”. Tem espaço pra M&A.