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Por que as petroleiras seguem investindo pesado, mesmo com a transição energética? Entenda

Por que as petroleiras seguem investindo pesado, mesmo com a transição energética? Entenda

Em um cenário de transição energética, onde se fala mais em ampliação do uso das energias consideradas limpas, grandes petroleiras investem pesado, aportando bilhões de dólares em fusões e aquisições.

Por exemplo, no começo da semana, a gigante norte-americana Chevron (CVX; CHVX34) informou a aquisição da Hess, empresa que atua no setor, por US$ 5,3 bilhões, transação que deverá ser feita envolvendo o pagamento em ações. Antes disso, a ExxonMobil (XOM; EXXO34) havia anunciado a aquisição da Pioneer Natural Resources por US$ 59,5 bilhões, montante que também será pago em ações da petroleira.

Na contramão dessas bilionárias aquisições, a Agência Internacional de Energia (AIE), divulgou na semana um estudo no qual prevê a proximidade do pico da produção de petróleo. De acordo com a entidade, a demanda por combustíveis fósseis como o petróleo, o gás e o carvão atingirá o nível máximo histórico antes de 2030, segundo o diretor executivo da entidade, Fatih Birol.

“Apesar dos rumores recorrentes sobre o pico do petróleo e o pico do carvão ao longo dos anos, ambos os combustíveis devem atingir máximas históricas. Esta era de crescimento do combustível fóssil deverá chegar ao fim nesta década, trazendo consigo implicações significativas para o setor energético global e a luta contra as alterações climáticas”, escreveu Birol num artigo publicado no Financial Times.

Mas por que petroleiras investem pesado?

Se a AIE está prevendo a proximidade do pico do petróleo, então por que as petroleiras estão investindo pesado? Isso acontece porque as companhias de petróleo não estariam, na verdade, pensando da mesma forma.

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As companhias entendem que o pico da produção, na realidade, está em um horizonte de mais longo prazo.

“As grandes empresas privadas não prevêem o fim da demanda por petróleo em um futuro próximo. Elas estão comprometidas com a indústria, com a produção, com as reservas e com os investimentos”, pontuou o analista Larry J. Goldstein , ex-presidente da Petroleum Industry Research Foundation, ao site CNBC.

gráfico com diferentes cenários da demanda de petróleo
Gráfico mostra diferentes cenários da demanda de petróleo

Já a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) pede que a transição energética seja “inclusiva e realista” e prevê, inclusive, crescimento da demanda global de energia, precisando portanto de um suprimento energético seguro.

Recentemente, o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) recebeu a visita do secretário-geral da Opep, Haitham Al Ghais, que enfatizou a necessidade de que a transição energética ocorra de forma “plural”.

Ele apresentou dados que mostram que a demanda global de energia crescerá 23% até 2045, enquanto a economia global dobrará de tamanho e a população mundial ultrapassará 9,5 bilhões de pessoas. Neste contexto, a oferta de petróleo líquido de países não-membros da Opep crescerá de forma consistente no médio prazo. Isto será impulsionada por países como Brasil, Guiana e Estados Unidos.

“Nossa indústria mantém a estabilidade do crescimento econômico e da prosperidade por meio do fornecimento constante e seguro de energia. O mundo precisa disso para que os países consigam fazer suas transições energéticas de maneira justa, inclusiva e realista. Os membros da Opep adotam a transição energética. Nós estamos reduzindo as nossas emissões, diminuindo a queima, estamos descarbonizando. E acreditamos que é necessário respeitar o contexto de cada nação para que seja alcançado um objetivo comum a todos”, ressaltou Al Ghais.

Busca por fontes seguirá, aponta Opep

O dirigente da Opep ressaltou ainda que há mais de 650 milhões de pessoas sem acesso à eletricidade atualmente e com mais de 2 bilhões de pessoas sem combustíveis limpos para cozinhar. Portanto, a busca por todos os tipos de fontes de energia aumentará, com exceção do carvão.

“O nosso setor precisará de investimentos de 14 trilhões de dólares até 2045, sendo 11,1 trilhões no upstream, 1,7 trilhão no downstream e 1,2 trilhão no midstream”, informou o diretor da Opep.

O papel da indústria de óleo e gás, que é responsável por fornecer cerca de 60% da energia primária do mundo, precisa entretanto ser feito com segurança e responsabilidade ambiental, como avaliou o presidente do IBP, Roberto Ardenghy.

“Nós temos tecnologia, modelos e processos que asseguram a nossa atividade. É por isso que o Brasil produz, diariamente, 3,5 milhões de barris de petróleo, com o diferencial da descarbonização, respeitando o meio ambiente e com enorme prudência”, disse o executivo.

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