A fusão entre os estúdios de cinema Paramount (PSKY; PSKY34) e Warner Bros (WBD; $W1BD34) continua prevista para ser concluída até o fim de setembro, apesar da ofensiva judicial movida por um grupo de procuradores-gerais estaduais dos Estados Unidos para tentar barrar a operação por supostas preocupações concorrenciais.
O principal advogado da Paramount, Jeffrey Kessler, afirmou que a empresa segue confiante na aprovação da transação e está preparada para levar a disputa até a Suprema Corte, caso enfrente obstáculos prolongados.
“A empresa acredita firmemente nisso”, afirmou Kessler ao comentar a operação.
Na segunda-feira, uma coalizão de procuradores-gerais liderada por Rob Bonta, da Califórnia, entrou com uma ação para impedir a fusão. O grupo também solicitou uma liminar para suspender temporariamente a conclusão do negócio enquanto o processo tramita na Justiça.
Segundo Kessler, a liminar foi apresentada depois que a Paramount informou às autoridades sua intenção de concluir a operação já em 22 de julho, data que coincide com o prazo estabelecido pela União Europeia para concluir sua análise sobre a fusão.
A Comissão Europeia ainda avalia o acordo e recebeu da Paramount um conjunto de concessões destinadas a reduzir preocupações concorrenciais. A expectativa da companhia é obter todas as aprovações regulatórias até essa data.
A operação já recebeu sinal verde da Divisão Antitruste do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, além de autorizações em outras jurisdições internacionais.
Acordo pode gerar custos adicionais
Caso a conclusão da fusão ultrapasse 30 de setembro, a Paramount terá de arcar com custos adicionais previstos em contrato.
Pelas condições do acordo, a empresa pagará uma taxa de acompanhamento aos acionistas da Warner Bros. Discovery equivalente a cerca de US$ 650 milhões por trimestre até que a transação seja concluída.
Ainda assim, Kessler afirmou que a companhia não acredita que o processo judicial chegará a esse ponto.
Segundo ele, a operação não apresenta características anticompetitivas e, por isso, não deveria ser barrada.
“Para que a fusão seja adiada ou bloqueada, ela precisa ser anticompetitiva. Esta fusão é pró-competitiva”, afirmou.
Empresas defendem fortalecimento da indústria
Na visão da Paramount, a união entre os dois grupos criará uma empresa com escala suficiente para competir em igualdade de condições com gigantes do streaming, como Netflix, Disney e Amazon Prime Video.
Kessler argumentou que a indústria do entretenimento enfrenta profundas transformações, impulsionadas pela perda de assinantes da TV por assinatura e pela crescente concorrência das plataformas de streaming.
Segundo ele, a combinação dos ativos fortaleceria o setor cinematográfico e beneficiaria também os profissionais de Hollywood.
Já os procuradores-gerais sustentam posição oposta. Em comunicado, Rob Bonta afirmou que a fusão entre Paramount e Warner poderá resultar em preços mais elevados, menor qualidade dos serviços e redução da oferta de conteúdo para consumidores, além de prejudicar exibidores e distribuidoras de televisão.
Compromisso com produção de filmes
Como parte dos argumentos apresentados às autoridades, a Paramount reafirmou o compromisso assumido pelo CEO David Ellison de que, após a conclusão da fusão, os estúdios lançarão conjuntamente uma programação de 30 filmes por ano.
Segundo Kessler, a empresa inclusive se mostrou disposta a formalizar esse compromisso por escrito e aceitar medidas legais caso a meta não seja cumprida.
Para a Paramount, esse compromisso demonstra que a combinação dos negócios ampliará, e não reduzirá, a produção de conteúdo para o mercado de entretenimento.
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