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JBS deve ter impacto limitado nos resultados na maior greve da indústria de carnes dos EUA

JBS deve ter impacto limitado nos resultados na maior greve da indústria de carnes dos EUA

Paralisação em planta que responde por cerca de 5% da capacidade de carne bovina dos EUA ocorre em meio a margens pressionadas e tensão nas negociações trabalhistas

A JBS (JBSS32) deve ter impacto limitado em seus resultados, mesmo diante da maior greve da indústria de carnes dos Estados Unidos em décadas, segundo avaliação do BTG Pactual (BPAC11).

A paralisação envolve cerca de 3,8 mil trabalhadores da unidade de Greeley, no Colorado, considerada uma das maiores plantas de processamento de carne bovina do país e responsável por aproximadamente 5% da capacidade de abate dos EUA, com cerca de 6 mil cabeças de gado por dia.

O movimento ocorre após o fracasso nas negociações de um novo contrato de trabalho entre a companhia e o sindicato United Food and Commercial Workers (UFCW).

Em carta enviada à empresa, o sindicato afirmou que a JBS gastou cerca de US$ 3 milhões em uma campanha para pressionar trabalhadores a abandonar o sindicato, em vez de avançar nas negociações.

“Desde que o sindicato notificou sua intenção de encerrar a extensão do acordo, a empresa iniciou uma campanha massiva de combate ao sindicato, ameaçando trabalhadores para que renunciassem à filiação”, afirmou a entidade.

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Segundo o documento, 99% dos trabalhadores votaram a favor da greve.

Impacto para a JBS depende da duração da paralisação

Para o BTG, o impacto da paralisação dependerá principalmente da duração da interrupção das operações.

Segundo relatos da mídia, a companhia já começou a redirecionar gado para outras plantas, incluindo uma unidade no Texas. Ainda assim, os analistas alertam que redistribuir esse volume dentro da rede da empresa não deve ser simples.

“A planta de Greeley processa cerca de 6 mil cabeças por dia, ou aproximadamente 5% da capacidade de carne bovina dos Estados Unidos. Redirecionar esse volume pela rede deve gerar custos adicionais de logística e execução”, afirma o banco.

Apesar disso, o BTG avalia que o impacto financeiro tende a ser limitado porque a operação de carne bovina da JBS nos Estados Unidos já vem operando com margens pressionadas.

Nos primeiros nove meses de 2025, o segmento registrou margem EBIT de -2,8%.

“Uma redução de volume em uma operação que já gera prejuízo não necessariamente se traduz em um impacto relevante adicional sobre os lucros”, avaliam os analistas.

Do ponto de vista do setor, a paralisação pode gerar pressão temporária sobre os preços do gado na região, já que a demanda por animais tende a cair enquanto a planta estiver parada.

Isso pode beneficiar frigoríficos concorrentes com capacidade ociosa para absorver parte da oferta, como Tyson Foods, Cargill e National Beef.

Apesar do ruído operacional, o BTG afirma que a situação ainda não justifica mudanças relevantes na visão de investimento sobre a companhia.

“Por enquanto, não tomaríamos grandes ações com base apenas nesse evento”, afirmam os analistas.

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